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Acordo UE-Mercosul e o atraso europeu na corrida por minerais críticos

Com o acordo UE–Mercosul, a União Europeia aposta em minerais críticos para manter competitividade, enfrentando dependência e tensão com EUA e China

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
O presidente Lula (PT) e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Foto: Ricardo Stuckert/PR
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  • O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul tem importância estratégica para a UE na corrida por minerais críticos, em meio à competição entre Estados Unidos e China.
  • A União Europeia é relativamente pobre em reservas de minerais para tecnologia e transição energética, dependendo de importações para atender a demanda futura, com estimativas de capacidade interna insuficiente para cobre, lítio, cobalto, níquel e grafita até 2050.
  • Dois instrumentos da UE para enfrentar esse cenário são o Critical Raw Materials Act (CRMA), com metas para 2030, e o programa Global Gateway, voltado à África, ambos buscando financiar cadeias de suprimento e reduzir dependências.
  • O acordo com o Mercosul é visto como estimular exportações de minerais com baixo processamento, fortalecendo a posição de cadeias de valor externas à UE e aumentando a assimetria com relação a outras regiões.
  • A leitura estratégica aponta que a Europa, diante de limitações técnicas e políticas, encontra dificuldades para competir com EUA e China e enfrenta dilemas sobre soberania industrial, OTAN e políticas fiscais, com impactos sobre o equilíbrio político interno e-eventuais mudanças de alinhamento geopolítico.

O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul foi assinado, incluindo impacto sobre as cadeias de minerais críticos. A notícia chega em meio a um cenário de competição entre blocos liderados pelos EUA e pela China, com a UE buscando manter competitividade industrial e influência geopolítica.

A leitura atual mostra que a União Europeia enfrenta dificuldades estruturais em reservas de minerais estratégicos para tecnologia e transição energética. Segundo análises, o bloco detém poucos recursos de níquel, cobre, grafita, cobalto e lítio, com participação mundial reduzida e dependência externa.

A posição europeia fica ainda mais complexa em termos de demanda futura. Estimativas indicam que, até 2050, a UE poderá atender sozinha apenas parte da necessidade interna de minerais para mobilidade elétrica, exigindo importações para suprir o restante.

No cenário, a assinatura com o Mercosul é apresentada pela UE como caminho para diversificar fontes e reduzir vulnerabilidades. Brasil, Argentina e Bolívia concentram reservas relevantes de lítio, terras raras, grafita, nióbio e cobalto, o que torna a região objeto de interesses internacionais.

Entretanto, especialistas alertam para assimetrias econômicas que podem acompanhar o acordo. A troca tarifária tende a ampliar exportações de minerais com pouco processamento, o que reforça a dependência de cadeias globais controladas por atores externos.

A estratégia europeia nesse campo envolve instrumentos como o CRMA e o Global Gateway, criados para ampliar produção interna, refino e infraestrutura regional. Esses programas buscam reduzir riscos e aumentar autonomia tecnológica da UE.

O CRMA, com metas para 2030, prevê aumento do uso local de minerais, maior processamento interno e maior reciclagem. Já o Global Gateway foca investimentos no Sul Global para fortalecer cadeias de valor e ofertar recursos à Europa, com críticas sobre efetividade.

Críticas destacam que o acordo com o Mercosul pode favorecer a exportação de commodities primárias, limitando o desenvolvimento de indústrias de transformação na região. Também se questiona o alcance real de políticas industriais diante de restrições de Bruxelas.

O papel da OTAN e a dependência de tecnologia norte-americana aparecem como fatores que moldam a capacidade europeia de competir. Além disso, políticas de austeridade e regras fiscais restritivas podem dificultar investimentos necessários para surpreender concorrentes globais.

Na avaliação de analistas, a Europa enfrenta desafios para criar um ecossistema tecnológico autossustentável, capaz de rivalizar com EUA e China em semicondutores, IA e energia verde. A dependência de empresas estrangeiras permanece um gargalo central.

As perspectivas de futuro para o bloco dependem de escolhas políticas, industriais e diplomáticas. Enquanto o acordo com o Mercosul representa uma peça estratégica, a geopolítica dos minerais críticos exige ações coordenadas e uma redefinição de parques industriais europeus.

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