- Quarenta e um por cento das entrevistadas disseram receber ajuda preferencialmente feminina para avançar na carreira; 14% disseram ter apoio principalmente de homens, 29% de ambos e 13% não receberam ajuda relevante.
- A percepção muda com a idade e a área de atuação: entre 25 e 40 anos, 48% creditam o impulso a outras mulheres; em marketing, publicidade e comunicação chega a 56%, e em educação e treinamento corporativo, 53%.
- Entre quem recebe apoio principal de homens, as altas lideranças aparecem com mais força: 20% são presidentes/CEOs/sócias e 18% são diretores ou líderes de área.
- As principais renúncias para crescer profissionalmente são: 74% abriram mão do autocuidado; 53% do tempo com a família e da saúde mental; 37% do lazer; 25% da maternidade ou do desejo de ter filhos.
- Dados sobre saúde mental apontam que atendimentos relacionados à Síndrome de Burnout aumentaram 54% entre mulheres em 2023 no SUS, em comparação com 2024. Como exemplo de iniciativa, Denise Hamano e Luiza Helena Trajano criaram uma comunidade de mais de três mil mulheres de negócio dentro do Magalu, com mentoria gratuita.
As mulheres são as principais impulsionadoras do crescimento profissional de outras mulheres. Pesquisa conjunta da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados e da Todas Group mostra que 41% das lideranças entrevistadas recebem apoio preferencialmente feminino para ascender na carreira. Apenas 14% apontam apoio majoritariamente masculino.
A amostra envolveu 1.534 mulheres em cargos de liderança em todo o país. A maior parte reconhece apoio de ambos os sexos (29%), enquanto 13% afirmam não ter recebido ajuda relevante. Apenas 3% não souberam distinguir entre apoio de mulheres ou homens.
A percepção varia por faixa etária e área de atuação. Entre 25 e 40 anos, o impulso vindo de outras mulheres chega a 48%. Em marketing, publicidade e comunicação, esse índice é de 56%, e em educação e treinamento corporativo, 53%.
Mudanças por cargos e idade
Entre as que receberam apoio principalmente de homens, destacam-se presidentes, CEOs e sócias (20%) e diretoras (18%). O patamar é maior entre quem tem 41 a 59 anos (18%). A CEO da Todas Group, Simone Murata, ressalta a importância de redes de apoio para o avanço feminino.
Renúncias para avançar
O levantamento aponta que 74% das entrevistadas abriram mão do autocuidado, afetando saúde física e hobbies. Tempo com a família (53%) e saúde mental (53%) aparecem como outras grandes renúncias. Lazer ficou em 37%, e maternidade ou desejo de filhos, em 25%.
Dados do Ministério da Saúde indicam aumento de 54% nos atendimentos por Síndrome de Burnout entre mulheres no SUS em 2023, comparado a 2024, reforçando o peso das renúncias no ambiente de trabalho.
Perfis etários e mercado de trabalho
Entre 18 e 24 anos, perdas associadas à vida social e lazer chegam a 50%, e relacionamentos afetivos a 32%. Na faixa de 25 a 40, higiene mental é a principal renúncia (58%). Entre as mais velhas, tempo com a família é o sacrifício mais citado (60%).
Simone Murata associa as mudanças do mercado às diferentes gerações, com menos necessidade de se provar entre as atuais lideranças mais jovens. Ela destaca que a ascensão feminina precisa ser equilibrada para manter o motor do trabalho como fonte de satisfação.
Casos de liderança e redes de apoio
Denise Hamano, de 43 anos, atua há mais de 15 na área de tecnologia e integra a rede de varejo Magalu. Junto a Luiza Helena Trajano, criou uma comunidade de mulheres de negócio com mais de 3 mil participantes. A rede oferece mentoria gratuita entre integrantes.
Entre as participantes do Magalu Marketplace, a principal dificuldade apontada é a tripla jornada de trabalho: casa, negócio, filhos ou cuidado de familiares. O descanso e o autocuidado costumam ficar em segundo plano frente às demandas diárias.
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