- Claude Troisgros, chef franco‑carioca, chega aos 70 anos em 2026 em uma fase de leveza, maturidade e possibilidade de escolhas.
- Saiu da sociedade em São Paulo para concentrar ativamente atuação no Rio de Janeiro, mantendo Salvador e Goiânia com consultoria e cardápios.
- O Madame Olympe, no Leblon, busca naturalmente uma estrela Michelin, e ele volta a competir no circuito de alta gastronomia com Jessica Trindade.
- Planeja uma volta ao mundo de moto, em roteiro que começa na França, segue pela Turquia, Uzbequistão, Quirguistão e China, com pausas para explorar gastronomia e mercados.
- Valoriza a evolução da gastronomia brasileira, a cada vez maior qualidade de produtores locais, e reforça o legado da família Troisgros aliado a uma postura de generosidade.
Claude Troisgros, aos 70 anos, reforça foco no Rio de Janeiro, na família e na alta gastronomia criativa. O chef francês que chegou ao Brasil em 1979 saiu da sociedade de São Paulo para direcionar energia ao Madame Olympe, no Leblon, e a um sonho: viajar de moto pelo mundo. O anúncio marca uma nova fase de leveza e maturidade em sua trajetória.
Em entrevista exclusiva à Forbes, ele descreve o momento atual como uma fase de escolhas e tranquilidade. Mantém Salvador e Goiânia como pilares de consultoria e operação, com cardápios em alta e reconhecimento local. O empresário ressalta que não houve saída completa dos negócios, apenas uma mudança de participação.
A expressão de desejo de voltar aos hábitos de viagem de moto aparece com força. Dois períodos de viagens de 15 a 21 dias já existem no planejamento, com uma primeira etapa prevista para junho a julho, partindo da França em direção à Turquia. O objetivo é percorrer diferentes continentes em uma volta ao mundo.
No Rio, o Madame Olympe volta a ganhar ênfase como projeto central. Ao lado da chef Jéssica Trindade, Troisgros busca retornar ao universo da alta gastronomia criativa e aspirar à classificação de estrela Michelin. O grupo prepara também projetos digitais e um podcast, sem revelar detalhes.
Sobre o cenário brasileiro, ele destaca a evolução da culinária do país. Lembra que, no início, houve resistência a técnicas modernas aplicadas ao produto nacional, mas reforça que produtores locais melhoraram e ampliaram a qualidade. A valorização de ingredientes brasileiros é apontada como marco dessa mudança.
A entrevista analisa a relação entre tradição e inovação. O chef relembra o papel dos pioneiros na valorização do produto nacional e observa que o Brasil hoje recebe chefs estrangeiros que veem o país como fonte de criatividade. O diálogo também aborda tendências de consumo e os impactos da atual demanda por porções menores.
Entre os temas pessoais, Claude Troisgros afirma que não se enxerga como workaholic. O gosto pela trabalho persiste, mas ele ressalta a necessidade de desacelerar eventualmente. Além das viagens, o chef menciona o interesse em investir tempo em causas sociais, sem pretensão de exposição pública.
Na pauta da gastronomia, ele critica modas como o azeite de trufa e o uso excessivo de jambu. Em relação ao futuro, expressa preocupação com a escassez de água e o possível impulso a dietas vegetarianas. Sobre tecnologia, reconhece utilidade da inteligência artificial, mas defende que a prática culinária depende de sensibilidade humana.
A partir de experiências na África e na Cordilheira dos Andes, ele indica foco em novas viagens que combinam gastronomia, mercados locais e produtos regionais. O objetivo é manter a prática de pesquisa de campo que sustenta sua visão de cozinhar com alma e técnicas próprias.
O legado de Claude Troisgros é descrito como vividamente presente em vida. Ele reforça o desejo de ser lembrado como pessoa generosa, além do papel de pioneiro na transformação da cozinha brasileira. A família Troisgros é apresentada como um núcleo forte, com relações estáveis ao longo das décadas.
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