- O fechamento do estreito de Hormuz interrompeu importações de gás liquefeito de petróleo (LPG), causando a pior crise de gás da região em décadas.
- Na Índia, filas em Delhi e outras cidades persistem por dias, com famílias recebendo orientação de buscar fornecimento subsidiado e enfrentando entregas incertas.
- A Índia importa cerca de sessenta por cento de seu LPG, e noventa por cento dessa demanda passa pelo estreito; apenas dois carregamentos chegaram desde o fechamento.
- Indústrias e empresas sofrem impactos: em Morbi, Gujarat, quase quatrocentos e cinquenta das seiscentas e setenta unidades cerâmicas estão paralisadas ou operando a nível mínimo; restaurantes reduzem cardápios.
- Os preços sobem e o governo prioriza abastecimento doméstico; alguns consumidores recorrem a fogões elétricos, com aumento na procura de cooktops de indução.
Em Delhi, Maya Rani, 36, chega há quatro dias a um posto de gás toda manhã, com a filha de seis meses no colo, e volta para casa sem cilindro. A fila se amplia diante dos documentos, na espera por uma reserva que pode levar mais de uma semana. A cozinha da família perdeu o fogo de uma semana para cá.
O cenário reflete uma crise de fornecimento de GLP (gás de cozinha) causada pelo fechamento do estreito de Hormuz. A região depende fortemente das importações, e a interrupção elevou preços, forçou reduções industriais e gerou incerteza entre lares.
A Índia importa cerca de 60% de seu GLP, e 90% disso passa via Hormuz. Apenas duas cargas chegaram desde o fechamento, escassas diante da demanda diária. A resposta governamental priorizou uso doméstico, com refino ampliando produção para consumo residencial e hospitais.
Panorama regional e impactos setoriais
Em várias cidades, restaurantes e hotéis enfrentam cortes ou reduções de cardápio. Indústria de serviços foca em opções mais rápidas, com parte do público migrando para equipamentos elétricos de cozinha. Em Mumbai, estima-se que cerca de 20% dos estabelecimentos tenham reduzido operações.
Em Morbi, Gujarat, o setor cerâmico registra queda de produção; centenas de unidades pararam e dezenas de fábricas suspenderam atividades por semanas. Trabalhadores reportam demissão ou suspensão de salários, enquanto o transporte de pessoas entre estados aumenta a vulnerabilidade econômica.
Para famílias de baixa renda, os efeitos aparecem em consumo diário. Em bairros densamente povoados, refeições subsidiadas passam a ser a principal fonte de alimentação, com itens básicos encarando elevação de preços. A crise também desperta tensões em centros de distribuição, onde episódios de conflito e furtos são relatados conforme o estoque diminui.
Entre na conversa da comunidade