- O Coaf identificou movimentações atípicas de Fabiano Zettel, que somaram R$ 99,2 milhões em sete meses, incompatíveis com a renda declarada de cerca de R$ 66 mil por mês.
- Entre junho de 2021 e janeiro de 2022, passaram pela conta de Zettel cerca de R$ 49,9 milhões em créditos e R$ 49,3 milhões em débitos, com entradas e saídas da mesma titularidade e repasses imediatos.
- O documento registra duas transferências de R$ 750 mil cada para Luis Roberto Neves, irmão do ex-diretor do Banco Central Paulo Sergio Neves de Souza, alvo de mandados na Operação Compliance Zero; o servidor foi afastado.
- Zettel e o empresário Daniel Vorcaro foram presos preventivamente por decisão do Supremo Tribunal Federal, sob suspeita de intermediação de pagamentos ligados à organização investigada e de facilitar repasses por meio de contratos estruturados.
- Outras movimentações mencionadas incluem venda de propriedade rural por R$ 3 milhões a Pipe Participações, participação no Tayayá Resort com transferências de R$ 25,6 milhões ao fundo Leal e venda de participação correspondente por R$ 20 milhões; Dias Toffoli confirmou venda de participação da empresa dele no grupo Tayayá.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras atípicas envolvendo o empresário Fabiano Zettel. O relatório aponta que ele teria movimentado R$ 99,2 milhões em sete meses, valor incompatível com a renda declarada. As informações vêm de um Relatório de Inteligência Financeira citado por O Globo e Valor Econômico.
Zettel declarou renda mensal de cerca de R$ 66 mil, enquanto as transações somaram média de cerca de R$ 14,1 milhões por mês no período analisado. Entre junho de 2021 e janeiro de 2022, a conta dele registrou R$ 49,9 milhões em créditos e R$ 49,3 milhões em débitos.
Movimentações consideradas atípicas
Segundo o Coaf, os padrões observados apresentam características incomuns para uma pessoa física. Entre os pontos estão valores elevados incompatíveis com a renda declarada, transferências da mesma titularidade que entram e saem rapidamente e recebimentos seguidos de repasses imediatos.
O órgão afirma que esse tipo de movimentação pode indicar trânsito de recursos de terceiros, o que dificulta identificar origem e destino final dos valores. A defesa de Zettel informou que não comentaria o caso, pois ainda não teve acesso ao relatório.
Transferências ligadas a investigação
O relatório registra duas transferências totalizando R$ 1,5 milhão feitas por Zettel ao empresário Luis Roberto Neves, em 18 de dezembro de 2021 (R$ 750 mil) e 18 de janeiro de 2022 (R$ 750 mil). Neves é irmão do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sergio Neves de Souza, alvo de mandados na terceira fase da Operação Compliance Zero.
A área do Banco Central responsável por monitorar o Banco Master afastou o servidor envolvido e proibiu seu acesso à sede. O STF já havia autorizado prisões preventivas relacionadas ao caso, com Zettel e Vorcaro detidos.
Prisão preventiva
Fabiano Zettel e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foram presos preventivamente por decisão do ministro André Mendonça. O despacho aponta indícios de que Zettel atuava na intermediação e operacionalização de pagamentos ligados à organização investigada.
O documento também cita suspeitas de que Paulo Sergio Neves de Souza tenha atuado como interlocutor interno do banco. O Banco Central disse ter identificado sinais de irregularidades e afastou o servidor antes da decisão judicial.
Venda de propriedade rural
O Valor Econômico informou que o ex-diretor do Banco Central vendeu uma propriedade rural em Minas Gerais por R$ 3 milhões à Pipe Participações, empresa da qual Zettel é sócio. A reportagem aponta que o irmão de Neves também participa da Pipe.
Compra de participação em resort
O Coaf menciona ainda movimentações ligadas à compra de participação no Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR). Zettel realizou 11 transferências totaisizando R$ 25,6 milhões para o fundo Leal, único cotista do fundo Arleen, que participou da aquisição da participação da empresa ligada ao ministro Dias Toffoli.
A transação de compra foi divulgada pelo Estadão como concluída por cerca de R$ 20 milhões. Documentos da Junta Comercial do Paraná indicam que o fundo Arleen ingressou no empreendimento em 27 de setembro de 2021.
Declaração de Dias Toffoli
Sobre a participação de Dias Toffoli, o ministro afirmou que a empresa Maridt vendeu sua participação no Tayayá pelo valor de mercado e que não recebeu valores de Vorcaro ou de Zettel. Toffoli também disse que a negociação ocorreu em setembro de 2021 e que deixou a relatoria do caso Master no STF, com novo sorteio aos cuidados de Mendonça.
Outras movimentações citadas
Entre as outras operações citadas pelo relatório estão: R$ 1,5 milhão transferidos para a empresa Super Empreendimentos, da qual Zettel era diretor; R$ 1 milhão enviado a um piloto de avião com contato frequente com Vorcaro; e R$ 763 mil pagos a uma joalheria em São Paulo. O Coaf classifica essas operações como atípicas por valores elevados ou perfil incompatível com o histórico do cliente.
O relatório ressalta que tais documentos não apontam, de forma direta, a prática de crimes. Eles, no entanto, sustentam o início ou aprofundamento de investigações por autoridades policiais e judiciais sobre possíveis irregularidades financeiras.
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