- Cherry Kearton foi pioneiro da fotografia de vida selvagem e inspirou Sir David Attenborough, que hoje completa cem anos.
- No fim do século dezenove, câmeras mais portáteis permitiram registrar a natureza; Kearton e o irmão Richard criaram o primeiro livro ilustrado apenas com fotografias sobre aves e seus ninhos, publicado em 1898.
- Kearton também inovou em som e imagem em movimento, registrando o primeiro pássaro na natureza e produzindo os primeiros documentários de natureza; fez imagens de Londres a partir de um dirigível em 1908.
- Seis anos depois, trabalhando na Bélgica, realizou as primeiras imagens em movimento de uma guerra que devastou a Europa.
- Em 1930, Kearton e Ada passaram seis meses em Dassen Island filmando pinguins; Attenborough viu esse filme em 1933; a rifle-camera portátil de Kearton foi vendida neste ano, parte de um lote de itens de seu acervo.
Cherry Kearton, fotógrafo e cineasta britânico, influenciou desde jovem Sir David Attenborough e ajudou a moldar a visão moderna da natureza. O relato repassa a trajetória dos Kearton no fim do século XIX e início do XX, quando a fotografia de vida selvagem começou a se popularizar.
Os irmãos Richard e Cherry Kearton cresceram na fazenda de Yorkshire. No início dos anos 1890, com câmeras portáteis emergentes, registraram o ninho de aves e criaram o livro British Birds’ Nests, o primeiro a usar exclusivamente fotografias para ilustração. A obra abriu caminho para a fotografia de natureza como gênero editorial.
A parceria dos irmãos produziu inovações em imagem em movimento e som. Cherry realizou as primeiras gravações de aves no ambiente natural e ajudou a construir estúdios para documentários de vida selvagem. Em 1908, capturou imagens aéreas de Londres e, em 1914, registrou cenas da guerra na Bélgica.
Duas décadas depois, Cherry e Ada ficaram seis meses em Dassen Island, na África do Sul, entre penguins. O filme Dassan: An Adventure in Search of Laughter, Featuring Nature’s Greatest Little Comedians, lançando em 1930, influenciou o jovem Attenborough, que assistiu à obra ainda adolescente e mais tarde creditou a apreciação pela natureza ao trabalho dos Kearton.
Em 1930, os Kearton lançaram um filme e desenvolveram técnicas de filmagem com equipamentos mais portáteis. No início dos anos 1900, Cherry criou uma câmera portátil a partir de um estoque de rifle, aperfeiçoando-a com filmes de rolo e avanço automático. O dispositivo, na época, foi considerado uma inovação revolucionária para a prática da fotografia de vida selvagem.
A câmera de Cherry foi leiloada no início deste ano, parte de um lote de itens da própria herança dos Kearton. O conjunto incluía livros, cartas, gravuras e demais equipamentos usados pelo fotógrafo, segundo a casa de leilões. O objeto, sem manual, funcionava por meio de intuíação do inventor.
A venda abriu espaço para reconstruir o legado técnico de Cherry, cuja obra é lembrada como escola para documentários de natureza. Um especialista avaliou o papel dos Kearton na educação do público sobre fauna e habitats, destacando o impacto educativo de suas produções.
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