- Após três semanas de violência em 2024, a ditadura de Hasina terminou e o parlamento foi tomado por manifestantes; menos de dois anos depois, cerca de 70 milhões de eleitores participaram das primeiras eleições livres em 17 anos, com vitória do BNP ao lado da Awami League.
- As eleições geraram divisions, com violência contra minorias, veículos de mídia e símbolos da cultura secular; muitos veem sinais de falha das revoluções populares.
- Para artistas de Bangladesh, a transição recente abriu espaço para debate crítico, usando fotografia documental para explorar temores e mudanças sociais, como a série “Women in the July Uprising”.
- O museu temporário e a memória pública buscam retratar a verdade sobre desaparecimentos durante o governo de Hasina, incluindo denúncias de “máquina de desaparecimentos” envolvendo forças de segurança.
- Indígenas, menos otimistas com a “restauração da democracia”, relatam censura e risco pessoal, com artistas como Joydeb Roaja expressando memórias traumáticas da violência, ainda sob vigilância de autoridades ao buscar visibilidade internacional.
O que aconteceu, quem está envolvido, quando, onde e por quê? Um movimento artístico em Dhaka acompanha a transição política após uma eleição histórica no Bangladesh. No centro da capital, a comunidade fotográfica expôs a metáfora das mulheres na revolta de julho, questionando o que muda para as pessoas após uma revolução popular.
A eleição realizada no mês passado, a primeira em 17 anos, levou à disputa entre o Partido Nacional Brigue Bangladesh (BNP) e a Liga Awami, de Hasina. O pleito ocorreu menos de dois anos após um período de instabilidade que terminou com a derrubada de um regime de 15 anos e a ocupação do parlamento por manifestantes. O resultado consolidou a presença do BNP ao lado da oposição histórica.
Para as artes, o momento é de oportunidade e risco. Em Dhaka, a instalação fotográfica – exibida durante o 11º festival Chobi Mela – questiona as consequências da transição, com imagens de mulheres envolvidas na revolta de 2024. O objetivo é registrar a urgência de entender o impacto social do processo político em curso.
A arte como espaço de debate público
O abalo político gerou insegurança, mas também deu voz a artistas que monitoram mudanças com caráter documental. Munem Wasif, coordenador do festival, afirma que os artistas não podem permanecer isolados, buscando sentir o pulso da época em solidariedade à comunidade. A mostra reúne imagens de jovens que desafiaram restrições sociais para participar das protestos, sobretudo nas universidades e cidades.
Desafios de uma narrativa plural
Além do debate sobre o presente, a mostra aborda o que ficou por registrar: mais de 1.600 pessoas teriam sumido durante o governo da atual primeira-ministra. A organização Mayer Dak acompanha familiares de vítimas, enquanto Johan, curador e fotógrafo, mostra como a arte pode dar voz a histórias silenciadas pela imprensa sob censura.
Memória e futuro institucional
No museu dedicado ao Julho da Rebelião, a curadoria propõe uma narrativa plural, com foco em um espaço de diálogo crítico. O diretor Tanzim Wahab, também responsável pelo Museu Nacional, enfatiza a necessidade de contextualizar obras de arte para entender o papel da cultura no país. O desafio é equilibrar memória histórica, arte moderna e o progresso democrático.
Artes indígenas sob nova realidade
Os artistas indígenas expressam ceticismo quanto a mudanças políticas amplas. Em comunidades remotas, mecanismos de controle e censura persistem, afetando jornalistas, escritores e artistas. Um artista da região de Chittagong relata que a violência da infância ainda o influencia, usando linguagem visual sutil para tratar de temáticas de identidades e deslocamento.
Panorama internacional de obras e impactos
Recentes mostras, inclusive em Londres, trazem obras que retratam vulnerabilidades indígenas e a busca por reconhecimento. Os artistas destacam que a arte pública continua a desempenhar papel essencial na prática democrática, mesmo diante de mudanças políticas e sociais.
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