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Estrela entra com recuperação judicial 7 meses após acordo de R$ 747 milhões

Estrela pede recuperação judicial sete meses após acordo tributário de R$ 747,9 milhões; grupo envolve oito empresas e cita alta custo de capital, crédito restrito e mudanças no consumo

Movimento expõe que a renegociação tributária com a União, fechada em setembro, resolveu apenas um vetor do passivo da companhia
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  • Estrela pediu recuperação judicial nesta quarta-feira, envolvendo sete sociedades do grupo, na comarca de Três Pontas, MG, encerrando quase oito décadas sem proteção legal.
  • A fabricante citou pressões como custo de capital elevado, restrição de crédito e mudanças de hábitos de consumo com mais opções digitais.
  • O movimento ocorre sete meses após acordo de transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional que reduziu débitos de R$ 747,9 milhões para R$ 72,4 milhões, a parcelar em até dez anos.
  • No balanço de 2024, a Estrela teve prejuízo líquido de R$ 24,3 milhões; o valor de mercado em maio de 2026 ficou em torno de R$ 42,7 milhões.
  • O grupo inclui Brinquemolde Licenciamento, Editora Estrela Cultural, JM Comércio e Indústria de Plásticos, Starcom, Starcom Nordeste e Catu Cosméticos, entre outras entidades; planos de recuperação serão apresentados posteriormente.

A Manufatura de Brinquedos Estrela, fabricante de marcas como Banco Imobiliário, Detetive e Genius, solicitou recuperação judicial nesta quarta-feira, 20, na Comarca de Três Pontas, Minas Gerais. O pedido envolve oito empresas do grupo, incluindo a matriz e sete sociedades vinculadas, e marca o fim de quase oito décadas sem proteção judicial. O protocolo foi registrado na unidade fabril de Três Pontas, beneficiando operações que vão de São Paulo a subsidiárias de licenciamento, distribuição, editora e cosméticos.

O movimento ocorre sete meses após a empresa ter fechado um acordo de transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, anunciado em setembro de 2025. O acordo reduziu débitos com a União de R$ 747,9 milhões para R$ 72,4 milhões, a serem pagos em até dez anos. A Estrela afirma que essa conquista não abrangeu outros componentes do passivo, mantendo pressão sobre a solvência do grupo.

Em comunicado assinado pelo diretor de relações com investidores, Carlos Tilkian, a empresa aponta três fatores que contribuíram para o pedido: elevação do custo de capital e restrição de crédito, mudança de comportamento de consumo em função do crescimento de opções digitais e o efeito conjunto desses elementos sobre a estrutura financeira. O documento não detalha o montante da dívida nem o número de credores.

Contexto financeiro

O último balanço disponível, de 2024, registrou prejuízo líquido de R$ 24,3 milhões, com dificuldade de operação de produção plena no período que antecede o Natal, tradicionalmente o pico de receita. Em maio de 2026, o valor de mercado da companhia era estimado em cerca de R$ 42,7 milhões, significativamente inferior ao passivo tributário renegociado no ano anterior, ainda acima de 17 vezes o valor de mercado.

A estrutura societária informa um grupo mais amplo do que a marca Estrela sugere ao consumidor. Entre as entidades envolvidas estão Brinquemolde Licenciamento, Editora Estrela Cultural, JM Comércio e Indústria de Plásticos, Starcom Ltda., Starcom do Nordeste, a distribuidora homônima e Catu Comércio de Cosméticos, uma sociedade unipessoal que indica diversificação fora da categoria de brinquedos.

A Estrela afirma que sócios, acionistas e administradores seguem à frente da gestão, conforme prevê o artigo 64 da lei de recuperação. O objetivo é apresentar um plano credor que demonstre caminho para a rentabilidade sem novos ciclos de renegociação, mantendo operações industriais e comerciais em curso.

Próximos passos

A companhia informou que apresentará o plano de recuperação oportunamente e que manterá as operações em andamento. O contexto do varejo de bens de consumo discricionário no Brasil é marcado por juros reais elevados e migração de gastos para serviços e entretenimento digital, além de competição com brinquedos importados em polos de comércio popular.

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