- Bancos da zona do euro têm exposição direta ao Irã e a Israel considerada pequena em relação à capacidade de absorver perdas, entre 0,7% do capital principal para ativos e 0,6% para passivos.
- Mesmo com países vizinhos, as exposições somam pouco menos de 1% do total de ativos das entidades supervisionadas, segundo Pedro Machado, supervisor sênior do Banco Central Europeu.
- Os ativos totais dos grandes bancos da zona do euro somam 27,8 trilhões de euros, conforme dados mais recentes do BCE.
- O risco mais relevante é um possível novo aumento dos preços da energia, que pode sustentar a inflação e desacelerar o crescimento, impactando mutuários e potencialmente o desemprego.
- O BCE reforça o foco em securitizações sintéticas, com coleta de informações para entender o volume e a exposição potencial, após crescimento de 85% no primeiro semestre de 2025 em relação ao ano anterior.
Os bancos da zona do euro enfrentam impactos diretos limitados da guerra no Irã, segundo Pedro Machado, supervisor sênior do Banco Central Europeu (BCE). A maior ameaça, afirmou, vem de uma economia mais fraca que pode corroer os balanços dos credores.
Em entrevista à Reuters, Machado abordou tensões no Oriente Médio, instabilidade nos mercados de capital privado e a necessidade de investigar com mais afinco as operações complexas de securitização. O foco é entender os riscos para o sistema financeiro.
A exposição direta dos bancos da zona do euro ao Irã e a Israel é pequena, afirmou. Mesmo somadas as economias vizinhas, a parcela de ativos e passivos envolvida representa pouco menos de 1% do total supervisionado pelo BCE.
Atualmente, os grandes bancos da região somam ativos de 27,8 trilhões de euros, conforme dados mais recentes do BCE. Machado destacou que não houve quantificação individual de exposições, seguindo a política de comunicação do banco.
O risco mais relevante, disse, é um eventual aumento nos preços de energia que eleve a inflação e leve a uma desaceleração econômica. Tal cenário poderia reduzir a atividade econômica e afetar o emprego, com impacto para os bancos.
Em relação ao crédito privado dos EUA, Machado minimizou a relevância para credores europeus, citando ausência de evidências de repercussão clara. O BCE, no entanto, intensifica o monitoramento de securitizações sintéticas.
O banco central passa a ampliar o foco em securitizações sintéticas, nas quais riscos de carteiras são transferidos a investidores externos por meio de derivativos. A ideia é evitar que o risco retorne ao sistema financeiro por vias indiretas.
Segundo Machado, o BCE pretende coletar informações sobre essas operações para formar uma visão mais clara do volume e da exposição potencial por meio de fundos. A subida recente dessas transações ocorreu em 2025, com crescimento de 85% no semestre comparado ao ano anterior.
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