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Breve história do Confucionismo

Xi Jinping recorre ao Confucionismo para legitimar seu governo, em meio a uma história marcada por censuras, reformas e uso político

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Visitors walk past a statue on the grounds of the Confucius Temple in Beijing on Nov. 22, 2008.
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  • Xi Jinping cita com frequência Confucionismo como parte da herança civilizacional da China, usando-o para legitimar o governo diante da queda de apelo ideológico do comunismo.
  • Historicamente, o Confucionismo moldou o governo chinês por quase dois milênios; Zhu Yuanzhang censurou Mêncio ao tentar legitimar sua dinastia, e o texto de Mêncio foi removido do templo de Confúcio em Qufu.
  • Ao longo dos séculos, outras escolas contestaram o Confucionismo—Daoísmo, Mohismo e legalismo—e só mais tarde, com o ressurgimento neo-Confucionista, ele voltou a dominar a tradição intelectual chinesa.
  • Durante a Revolução Cultural, Mao Zedong atacou o Confucionismo, destruindo instituições e textos; após sua morte, o pensamento confucionista foi parcialmente reabilitado e ganhou apoio governamental nos anos seguintes.
  • Hoje, centenas de milhões praticam rituais considerados confucionistas, mas a China continua usando o confucionismo como símbolo de ordem e identidade nacional, com Xi adotando uma leitura mais contida da tradição.

Ao longo da história da China, Confucionismo teve papel central na formação de legitimidade política. Hoje, o tema retorna ao debate público conforme Xi Jinping cita a tradição para moldar a identidade nacional. A leitura crítica observa tensões entre cultura e prática política.

Ao founding do Ming, Zhu Yuanzhang buscou fundamentar seu governo na tradição ruji­a, o que levou à censura de trechos de Mêncio. Partes do texto foram removidas e a placa de Mêncio no templo de Confúcio, em Qufu, teve intervenção oficial.

Para Xi, Confucionismo é fonte de legitimidade histórica, útil diante de mudanças ideológicas. A relação entre o Partido Comunista e o confucionismo é mais de uso político do que de engajamento intelectual profundo, segundo análises críticas.

Historicamente, Confucionismo disputou espaço com outras correntes durante milênios, incluindo Daoismo e Mohismo. Movimentos reformadores chineses do século 19 e 20 o citaram como símbolo de tradição, códigos de ritual e ordem social.

O Confucionismo viu transformações com a dinastia Han, a ascensão dos neo-Confucionistas e, posteriormente, repressões durante períodos políticos conturbados. A reforma cultural de Mao Zedong atingiu escolas confucionistas, com destruição de textos e perseguição de estudiosos.

Na China contemporânea, o confucionismo permanece presente em rituais, educação e memória coletiva. Milhões participam de rituais de ancestralidade e tradições de exame, ainda que sob uma leitura mais modesta da tradição.

A leitura atual ressalta que Xi se apoia numa imagem simplificada de Confúcio, mais simbólica que filosófica. A força persiste na ideia de ordem, hierarquia e continuidade cultural, sem implicar adesão direta a toda a herança antiga.

Fontes históricas indicam que Confucionismo não foi criado para ser único, mas para dialogar com outras tradições. A relação entre poder e ética confucionista é complexa, marcada por ajustes ao longo de séculos.

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