- Nova evidência sugere que o pequeno gambá-pigmeu possa viver na Península de Yorke, no sul da Austrália, ampliando o alcance da espécie.
- Fotos feitas entre 2004 e 2011 em Dhilba Guuranda–Innes National Park foram reanalisadas; dois indivíduos fotografados em 2006 eram menores, com pelagem cinza na barriga, e foram identificados como gambás-pigmeus pequenos.
- A comparação com exemplares do Museu de Adelaide levou à confirmação de que se tratava do little pygmy possum, não do western pygmy possum.
- A descoberta é significativa, pois cerca de dezoito entre vinte e quatro mamíferos terrestres do Yorke Peninsula já se encontram extintos ou ameaçados, e a vegetação nativa da região foi amplamente removida.
- A confirmação de uma nova população pode beneficiar a conservação da espécie, que é sensível à fragmentação de habitat e a incêndios; os autores recomendam abordagem cautelosa de manejo do território até verificar o status da espécie.
O menor bicho-pau do mundo pode ter seu alcance expandido para além do que se conhecia no sul da Austrália. Pesquisadores identificaram indícios de que o pygmy possum pequeno, Cercartetus lepidus, pode viver na Península de Yorke, a centenas de quilômetros do último registro oficial. O estudo foi publicado na revista Australian Zoologist.
A evidência vem de imagens recuperadas de pesquisas de campo feitas entre 2004 e 2011 no Dhilba Guuranda–Innes National Park, fim de península de importante vegetação nativa. Entre mais de 250 mamíferos do grupo, duas fotos de 2006 mostraram animais menores, com pelagem cinza no abdômen, inicialmente rotulados como filhotes de pygmy possum ocidental.
Os pesquisadores compararam as imagens com espécimes do Australian Museum e concluíram que as duas observações correspondem ao little pygmy possum, não ao subespécie ocidental. A reclassificação sugere que a distribuição do animal pode abranger áreas até então consideradas ausentes de sua presença.
A descoberta tem impacto na compreensão da conservação. O habitat na Yorke Peninsula sofreu desmatamento, restando apenas cerca de 13% de vegetação nativa. O estudo destaca a vulnerabilidade da espécie a fragmentação de habitat, queimadas e manejo ambiental, incluindo queimadas controladas.
Especialistas externos ressaltam o interesse de confirmar a presença por meio de novas pesquisas, como recapturas e análises de DNA. A confirmação de uma nova população pode influenciar estratégias de proteção e de uso do solo na região, especialmente diante do histórico de extinção local de parte da fauna regional.
Embora a situação atual do little pygmy possum na Yorke Peninsula permaneça incerta, os autores defendem uma abordagem cautelosa na gestão do território até que o status da espécie seja verificado. A notícia é recebida com ressalvas, mas é considerada relevante para a compreensão da biodiversidade local.
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