- Stéphane Domeneghini é engenheira civil especializada em prédios altos e diretora executiva da empresa Talls Solutions, responsável por consultoria técnica em projetos como arranha-céus.
- Ela participa de projetos acima de 150 metros, incluindo o Senna Tower, com 550 metros de altura, em Balneário Camboriú (SC).
- Vinda de Cerejeiras, Rondônia, a engenheira superou dificuldades familiares e escolares, incluindo morar com bolsa de estudos e mudar para Balneário Camboriú ainda jovem para estudar engenharia civil.
- Ao longo da carreira, atuou em obras como Epic Tower, Boreal Tower e One Tower, contribuindo com cálculos e dinâmicas de vento para estruturas de grande altura.
- Em 2024, foi palestrante e jurada no congresso do Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH), fortalecendo sua posição internacional no tema de arranha-céus.
A engenheira Stéphane Domeneghini, especialista em prédios altos, vive uma relação paradoxal com a altura. Em casa, uma escada de dois metros já provoca vertigem; no canteiro de obras, com botas e capacete, ela lidera trabalhos acima de 200 metros, presa apenas por um cinto de segurança. Em meio ao medo, a técnica domina a cada desafio.
Ao longo de quase duas décadas, Stéphane se tornou referência no uso de dinâmicas de vento e análises de torres. Diretora executiva da Talls Solutions, a profissional já participou de projetos bilionários, entre eles o Senna Tower, de 550 metros, desenvolvido pela FG Empreendimentos em Balneário Camboriú (SC).
A origem
Nascida em Cerejeiras, Rondônia, filha de um mecânico e de uma dona de casa, Stéphane cresceu em condições de energia elétrica precárias. A família retornou a Marau, no Rio Grande do Sul, buscando uma vida mais estável, onde o pai abriu um ferro-velho.
A formação teve base em escola pública e fortes estímulos familiares. A mãe cobrava excelência acadêmica, enquanto o avô, ex-seminarista, incentivava a curiosidade pela arqueologia e pela superação de limites.
Formação e início de carreira
Com bolsa do Prouni, iniciou na universidade estudando psicologia, migrando para exatas e engenharia elétrica, até escolher engenharia civil. Aos 18 anos mudou-se para Balneário Camboriú, para morar com o namorado, hoje marido, para seguir o curso.
Enquanto cursava, visitou a orla da cidade e percebeu que os arranha-céus em construção já desafiam horizontes. A experiência de estágio na Embraed abriu portas para a carreira em alta engenharia, com foco técnico e dedicação a normas e cálculos.
Desafios técnicos e ascensão
A mudança para a FG Empreendimentos abriu um cenário de complexidade técnica envolvendo estruturas altas. O estudo de dinâmica de ventos tornou-se crucial para garantir a estabilidade de torres que podem alcançar centenas de metros de altura.
Projetos como Epic Tower (190 m), Boreal Tower (241 m) e One Tower (290 m) foram alavancados pela atuação de Stéphane, que atua como líder de equipes de engenheiros e projetistas ao redor do mundo.
Reconhecimento internacional
Em 2024, durante o congresso do CTBUH em Londres e Paris, Stéphane atuou como palestrante e jurada. Ela apresentou cinco anos de pesquisa sobre o Senna Tower e compartilhou exemplos globais de inovações em fundações para arranha-céus. Também integrou o júri de premiação das Américas.
Realidade da engenharia no Brasil
Apesar de dominância feminina na arquitetura, a engenharia brasileira permanece com baixa representatividade feminina, especialmente em cargos de chefia. Estima-se que mulheres compõem cerca de 20% dos profissionais da área no país, com participação ainda menor em posições de liderança.
Stéphane relata experiências de machismo no canteiro e, em alguns momentos, chegou a chorar em privado diante de humilhações. Ela atribui a superação à dedicação aos estudos e à prática constante de argumentação técnica.
Hoje e o que vem
Atualmente, a engenheira gerencia equipes que atuam em projetos de alta complexidade distribuídos pelo mundo. Mesmo diante do medo de subir escadas ou voar, ela não recua diante dos maiores desafios técnicos da engenharia de arranha-céus.
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