- Purgas por corrupção na defesa chinesa estão deixando déficits sérios na estrutura de comando, até que vagas sejam preenchidas.
- As ações vão desde a Comissão Central de Milícia e Reforma Militar até comandos de teatros, aquisição de armas, desenvolvimento e academia de defesa, segundo o IISS.
- A janela de comando está reduzida a apenas dois membros do órgão máximo: o presidente Xi Jinping e o vice-presidente Zhang Shengmin.
- O estudo aponta que promoções por laços, falhas em contratos e desânimo geral podem ter impacto de curto prazo, mas a modernização deve seguir.
- O relatório destaca o aumento dos gastos militares da China em relação ao resto da região, com a participação chinesa chegando a quase quarenta e quatro por cento do total regional em dois mil e vinte e cinco.
O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) afirma que as purgas de corrupção no Exército Popular de Libertação (PLA) afetam a cadeia de comando e a prontidão das forças armadas chinesas. O relatório aponta deficiências que podem ter atrapalhado a modernização acelerada das forças, divulgado nesta terça-feira.
Segundo o IISS, as expulsões e investigações ainda não foram concluídas, abrangendo a Comissão Militar Central, comandos regionais, aquisição de armas, desenvolvimento tecnológico e defesa acadêmica. Enquanto houver vagas, o PLA operará com falhas no comando, afirma o estudo.
As autoridades indicaram que promoções por indicações, falhas contratuais em armas e queda de moral podem ter impacto de curto prazo, mas o texto ressalva que a modernização deve seguir adiante, de modo gradual.
Contexto da purga e sinais de continuidade
O relatório acontece após dois generais de alta patente serem alvo de investigações disciplinares, na mais grave higienização militar em décadas. Zhang Youxia, veterano aliado de Xi Jinping, está sob investigação; He Weidong foi afastado no ano passado.
A purga reduziu o núcleo de comando a apenas dois membros: o presidente da CMC, Xi Jinping, e o vice-presidente Zhang Shengmin, em meio a um processo de higienização que alcançou a central prática de comando e áreas de defesa.
O estudo destaca ainda a ampliação da projeção militar chinesa no Indo-Pacífico, com maior presença ao redor de Taiwan em 2025, em apoio a reivindicações territoriais e à política externa.
Perspectivas de gastos e operações
O IISS observa que o aumento do gasto militar da China supera o ritmo da região, ampliando a participação no total regional para quase 44% em 2025, frente a média de 37% entre 2010 e 2020.
Xi Jinping chegou a mencionar publicamente, em um discurso virtual às forças armadas, que o último ano foi atípico e extraordinário, destacando educação política e combate à corrupção.
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