- Clubes da Série B filiados à FFU pressionam a SME sobre o contrato e a possibilidade de saída, após medidas do Cade.
- Cade identificou possíveis elementos anticoncorrenciais no acordo e apontou necessidade de mudanças para permitir que clubes deixem o grupo.
- Cartolas discutem a marcação de assembleia sem SME e sem a Live Mode para definir próximos passos, incluindo saída e revisões contratuais.
- Cuiabá, Atlético-GO e Vila Nova enviaram parecer jurídico recomendando o fim da cláusula de exclusividade de 50 anos e de sua absorção caso haja nova liga.
- SME disse que a medida do Cade é preliminar e que continuará em diálogo; CBF é procurada pelos clubes para avançar com liga única e venda de direitos a partir de 2030.
Clubes da Série B vinculados à FFU cobram mudanças no contrato com a investidora SME. O movimento ocorreu neste fim de semana, quando dirigentes questionaram cláusulas e mecanismos de saída. O objetivo é rever regras de exclusividade e de recompra dos direitos negociados.
A iniciativa envolve a empresa SME, intermediária Live Mode na venda de direitos de transmissão, e a própria FFU. A ação acontece em meio à tentativa da CBF de criar uma liga única com os 40 clubes das Séries A e B. A expectativa é evitar concentrações de poder na negociação.
A pressão ganhou força após uma medida preliminar do Cade que aponta possíveis infrações de concorrência no acordo entre clubes e investidor. A decisão levou clubes a notificarem a SME sobre a intenção de deixar o bloco caso sejam mantidas as regras atuais.
Adequação contratual e saída do grupo
Cartolas discutem convocar assembleia sem a presença da SME e da Live Mode para alinhar os próximos passos. Pareceres jurídicos, enviados por Atlético-GO, Cuiabá e Vila Nova, recomendam eliminar a cláusula de exclusividade de 50 anos e a absorção dessa cláusula caso haja criação de nova liga.
Operário-PR comunicou que deixará o bloco, citando conflito de interesses na negociação de transmissão envolvendo Live Mode e CazéTV. Goiás, Cruzeiro e Botafogo também sinalizaram a intenção de sair se as mudanças não ocorrerem. Corinthians não integra o condomínio, mas não renovaria direitos de TV do Brasileirão.
Reações e posicionamentos
Bruno Pimenta, CEO da SME, disse que a nota divulgada pelo Cade não foi oficialmente entregue e que a empresa busca revisar a decisão. O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, criticou a medida e afirmou que os clubes não apoiarão práticas anticompetitivas. Dresch também mencionou a necessidade de assembleia para debate formal.
Pedro Martins, CEO do Fortaleza, reforçou que há espaço para debate e que as cláusulas de governança devem ampliar a autonomia dos clubes sobre seus direitos de transmissão. O documento interno envolve sugestões de mudanças para reduzir dependência da SME.
Ponto de vista da investidora e da CBF
A SME afirmou que a mensagem aos clubes representa exercício do direito de defesa no processo do Cade e que a medida foi meramente preparatória, sem decisões definitivas. A empresa ressaltou que está à disposição das autoridades para esclarecer os fatos.
Segundo apuração do UOL, os clubes buscaram a CBF após a divulgação da medida. A entidade disse que a recomendação é tratar diretamente com a SME. A CBF vê o tema como chave para consolidar uma liga única e organizar a venda de direitos do Brasileirão a partir de 2030.
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