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Jojó, primeiro campeão brasileiro negro de surfe, inspira jovens no litoral de SP

Jojó de Olivença, primeiro negro bicampeão brasileiro de surfe, usa o Projeto Ondas no Guarujá para transformar a vida de jovens em vulnerabilidade social

Jojó de Olivença — Foto: Projeto Ondas
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  • Jojó de Olivença foi o primeiro negro a conquistar o Campeonato Brasileiro de Surfe, em 1988, e tornou-se bicampeão nacional quatro anos depois, chegando ao Top 16 do ranking mundial.
  • Hoje ele comanda o Projeto Ondas no Guarujá, que usa o surfe como ferramenta de educação, cidadania e inclusão de jovens em vulnerabilidade social.
  • O projeto nasceu de aulas gratuitas de surfe oferecidas por ele após encerrar a carreira profissional, em meados dos anos noventa, evoluindo para uma organização estruturada com currículo próprio.
  • Mais de 1.500 crianças e adolescentes já passaram pelo Projeto Ondas, com relatos de pessoas que seguiram estudos, entraram em universidade ou atuam em diferentes áreas.
  • Em 2026, o projeto retomou as atividades com a quarta edição do Surfando Valores e planeja expandir a metodologia para a Bahia, mantendo o surfe como ferramenta de transformação.

O campeão Jojó de Olivença, primeiro negro a vencer o Campeonato Brasileiro de Surfe, atua hoje como professor e gestor social no litoral de São Paulo. O Projeto Ondas usa o surfe para educação e cidadania de jovens em vulnerabilidade.

Natural de Ipiaú, na Bahia, Jojó cresceu em Olivença, onde começou a surfar com pranchas emprestadas. Em 1988 tornou-se o primeiro negro campeão brasileiro; em 1992 foi bicampeão e chegou ao Top 16 do ranking mundial.

Ao deixar a carreira profissional no fim dos anos 1990, ele criou uma escola na Praia da Enseada, em Guarujá. A experiência social nasceu ao ver crianças sem atividades estruturadas na praia, praias onde passou a oferecer aulas gratuitas.

O nascimento do Projeto Ondas

Em 2007, Jojó formalizou o Projeto Ondas. A prática inicial de voluntariado evoluiu para uma organização com metodologia própria para jovens em situação de vulnerabilidade.

Desde 2018, o projeto trabalha com o Instituto Antonio Carlos Pipponzi, ganhando um plano pedagógico e currículo voltado ao desenvolvimento integral dos atendidos.

Hoje, o Ondas atua no Guarujá com atuação reconhecida no Brasil, contando com parcerias que fortalecem a relação com a comunidade local e o ganho de cidadania entre os participantes.

Surfando Valores 2026

Em 2026, o Ondas retomou as atividades com a quarta edição do programa Surfando Valores, que integra esporte, educação e assistência social.

As ações acontecem no contraturno escolar, com encontros semanais que combinam surfe, apoio pedagógico em português e matemática, inclusão digital e educação ambiental.

A organização afirma que estudantes de sete a oito anos já avançaram para a cidadania plena, comprovando impactos educacionais e sociais.

O surfe como ferramenta social

Dentro da metodologia, o surfe funciona como linguagem educativa para desenvolver valores, consciência ambiental e habilidades socioemocionais. A hashtag do projeto é Surf Transforma.

A prática é usada de forma lúdica, com oceano, mar e natureza como inspirações para o aprendizado e a formação de hábitos legais e de convivência.

Desafios e novos sonhos

Manter e ampliar as ações depende de parcerias com empresas, voluntários e poder público, segundo Jojó. A vulnerabilidade nas cidades cresce e demanda apoio contínuo.

Entre os passos futuros está a expansão da iniciativa para a Bahia, região onde tudo começou para o atleta, em Olivença, sul de Ilhéus.

O maior sonho é disseminar a metodologia pelo litoral brasileiro, oferecendo suporte profissional para quem inicia do zero e reconhecendo o surfe como ferramenta de transformação.

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