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Libra, FFU e CBF articulam liga diante de impasses no futebol brasileiro

CBF avança com estudo de liga única até 2026, enfrentando impasses entre Libra e FFU e contratos vigentes de transmissão dos direitos do Brasileirão

CBF trabalha para a criação de uma liga única de clubes (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
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  • A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tenta mediar a criação de uma liga única para o Brasileirão, com definição até o fim de 2026.
  • Dois blocos—Libra e Federação de Futebol dos Clubes (FFU)—não chegam a um acordo sobre o modelo de negócio, mantendo disputas sobre distribuição de receitas.
  • Libra fechou acordo de cerca de R$ 6 bilhões com a Globo para direitos entre 2025 e 2029; FFU antecipou parte das receitas cedendo entre 10% e 20% de direitos à SME, recebendo em torno de R$ 2,2 bilhões.
  • A CBF apresentou, aos clubes, um projeto em três etapas: Produto (melhorias no campeonato), Comercialização (modelo conjunto de venda) e Governança (estrutura jurídica/administrativa), com meta de concluir o produto ainda em 2026 e enviar o estatuto até o fim do ano.
  • Em termos econômicos, o Brasileirão hoje movimenta cerca de 1,8 bilhão de euros, ante cerca de 7,5 bilhões na Premier League, 5,5 bilhões na La Liga e 5,1 bilhões na Bundesliga; o Flamengo também questiona a divisão de receitas, evidenciando os conflitos internos.

Durante anos, clubes e entidades do futebol brasileiro discutiram a criação de uma liga única para o Campeonato Brasileiro, sem chegar a um acordo definitivo. Em 2026, a CBF passou a atuar como mediadora, diante das disputas entre dois blocos rivais: Libra e FFU.

A Libra defende um modelo de gestão sem investidores externos, mantendo a propriedade dos ativos pelos clubes e usando a estrutura coletiva apenas para negociar contratos. Já a FFU optou por antecipar receitas, criando o Condomínio Forte União (CFU) e cedendo entre 10% e 20% dos direitos a SME, obtendo cerca de R$ 2,2 bilhões.

Em contraste, Libra fechou com a Globo um acordo de aproximadamente R$ 6 bilhões para direitos entre 2025 e 2029, mantendo a negociação centralizada pelos clubes. A antecipação da FFU é vista como forma de capitalização imediata para investimentos e reorganização financeira.

A CBF passou a atuar como moderadora, diante da dificuldade de unificar cronogramas ou estruturas institucionais entre Libra e FFU. A entidade vizinhança vê potencial janela para futuro papel de liderança e, possivelmente, de participação econômica direta na liga.

O passo concreto ocorreu em 6 de abril de 2026, quando Samir Xaud reuniu 40 clubes das Séries A e B para apresentar um estudo sobre a criação de uma liga única. O objetivo é estruturar o processo em três frentes: Produto, Comercialização e Governança.

Para a fase de produto, a CBF pretende concluir até o fim de 2026 as propostas de melhorias no campeonato. A Comercialização prevê um modelo conjunto de venda de direitos até 2029. A Governança envolve a estrutura jurídica da futura liga.

Mesmo com direitos de transmissão já contratados até 2029, a CBF busca avançar em propostas que apresentem o Brasileirão a um patamar próximo aos grandes ligas internacionais. Estimativas apontam receitas de referência de aproximadamente 1,8 bilhão de euros para o Brasileirão, bem abaixo de Premier League e La Liga.

Entre as propostas estão calendário aprimorado, maior tempo de bola em jogo, modernização de estádios, melhoria de infraestrutura, qualificação de transmissões e fortalecimento de marketing. Também entra em pauta o desenvolvimento de jovens talentos e sustentabilidade financeira.

Conflitos internos ficaram evidentes quando o Flamengo acionou a Justiça para contestar critérios de divisão de receitas, revelando tensões sobre a distribuição de recursos entre clubes de diferentes perfis. A disputa acende dúvidas sobre a viabilidade de uma liga unificada.

O desafio continua jurídico e contratual: Libra e FFU possuem contratos de longo prazo com parceiros, o que complica a criação de uma estrutura única sem readequações. A FFU, no entanto, não sinaliza abandono da ideia de uma liga única no futuro.

Interlocutores apontam que o potencial econômico do futebol brasileiro ainda não está plenamente explorado, com receitas totais estimadas em torno de R$ 3 bilhões, podendo chegar a R$ 13 bilhões com novas plataformas e formatos. Não obstante, o cenário permanece incerto diante de contratos existentes e interesses divergentes.

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