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Finanças explicam as dificuldades do futebol brasileiro

Mesmo com recordes de receita, o futebol brasileiro depende da venda de jogadores para fechar o caixa; dívidas sobem e sustentabilidade fica em risco

O Estádio Nilton Santos. Foto: Mauro Pimentel/AFP
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  • Em 2025, a Série A faturou 14,3 bilhões de reais, com 3,9 bilhões de reais em transferências e receitas da Copa do Mundo de Clubes; a receita recorrente ficou em 9,5 bilhões, e o EBITDA recorrente foi negativo em 0,5 bilhão.
  • O caixa do dia a dia ainda não fecha sem venda de jogadores, evidenciando um modelo acostumado a depender da negociação de atletas para sustentar as operações.
  • Entre os custos, os salários somaram 6,5 bilhões de reais e as contratações 4,4 bilhões; a dívida da elite fechou o ano em 17,3 bilhões, com alavancagem de 1,88 vez.
  • As receitas recorrentes cresceram, mas as transferências continuam decisivas; direitos de transmissão somaram 3,1 bilhões, receitas comerciais também chegaram a 3,1 bilhões e o *matchday* ficou em 1,7 bilhão.
  • Sem melhoria de gestão, controle de custos e uso mais eficiente das transferências, o futebol brasileiro permanece vulnerável, funcionando como um grande marketplace de talentos.

O Relatório Convocados, divulgado em maio, analisa o futebol brasileiro e aponta que o desafio não é apenas o dinheiro, mas a forma como ele entra e sai dos clubes. Em 2025, a Série A registrou receitas totais de 14,3 bilhões de reais.

Mesmo com 3,9 bilhões de reais em transferências de atletas e receitas da Copa do Mundo de Clubes, o lucro recorrente ficou em 9,5 bilhões. O EBITDA recorrente foi negativo, em 0,5 bilhão, indicando que o caixa diário depende das vendas de jogadores.

Estrutura financeira e sustentabilidade

O estudo sustenta que o modelo atual favorece aquisições de atletas em detrimento da sustentabilidade de longo prazo. Receitas recorrentes atingiram recorde, mas houve crescimento de custos e despesas, mantendo o resultado negativo em termos recorrentes.

A primary força da temporada foi a venda de atletas, que sustenta o funcionamento diário dos clubes. Em 2025, 3,9 bilhões de reais vieram de transferências, com peso significativo para Flamengo, Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Corinthians e São Paulo.

Impacto das receitas e custos

Embora os direitos de transmissão somem 3,1 bilhões de reais, o crescimento veio de receitas comerciais, impulsionadas por casas de aposta, e do matchday, com 1,7 bilhão. Ainda assim, a venda de atletas foi decisiva para equilibrar números em muitos clubes.

A operação do futebol, envolvendo salários e custos de jogo, não se paga sozinha. O lucro aparece quando há venda de parte do elenco, o que mantém um ciclo de oscilação entre desempenho esportivo e liquidez financeira.

Dívidas e dinamismo do mercado

As despesas com salários chegaram a 6,5 bilhões em 2025, e os investimentos em contratações somaram 4,4 bilhões. A dívida dos clubes da elite fechou o ano em 17,3 bilhões, com alta em dívidas operacionais devidas a contratações de atletas. A relação entre dívida e receitas recorrentes ficou em 1,88 vez.

Em alguns casos, seria necessário mais de dez anos para quitar o passivo, mesmo usando 20% das receitas anuais para amortização. A dependência de negociações de jogadores se manteve como eixo central do sistema.

Consequências para o jogo

O relatório descreve a indústria do jogador como o núcleo financeiro do sistema. A venda de atletas aparece como condição de sobrevivência, com impactos em prazos, juros e novas negociações quando o mercado não corresponde.

O efeito no campo é direto: sem projetos esportivos estáveis, o futebol assume lógica de marketplace, com atletas tratados como produtos e as redes sociais como vitrine. O foco passa a ser o potencial de venda na próxima janela.

Conclusões do estudo

O Convocados conclui que apenas uma gestão mais rigorosa — com fair play financeiro, controle de custos e diversificação de receitas — poderá reduzir a fragilidade financeira. Hoje, o Brasil já gera receitas bilionárias, mas ainda opera como grande mercado de talentos.

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