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Receita recorde no futebol brasileiro contrasta com dívidas crescentes

Receita recorde de R$ 14,3 bilhões em 2025 convive com endividamento de R$ 17,3 bilhões e gasto elevado, sustentado por receitas não recorrentes

Imagem ilustrativa de bolas de futebol
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  • Receita do futebol brasileiro atingiu R$ 14,3 bilhões em 2025, com crescimento real de 32% em relação a 2024, segundo o relatório Convocados 2026.
  • Parte desse aumento veio de receitas não recorrentes, como transferências de atletas (R$ 3,9 bilhões, alta de 63%) e premiações internacionais (R$ 1,6 bilhão).
  • Sem esses efeitos extraordinários, a receita recorrente ficou em R$ 9,5 bilhões, com ganho real de 13%.
  • Custos operacionais chegaram a R$ 10,3 bilhões no ano, e as dívidas consolidadas chegaram a R$ 17,3 bilhões.
  • O estudo aponta fortes gastos com elencos (R$ 4,4 bilhões em direitos de atletas) e dependência de receitas de apostas, além de destacar apenas sete clubes plenamente compatíveis com o fair play financeiro brasileiro.

O futebol brasileiro atingiu receita total de 14,3 bilhões de reais em 2025, conforme o Relatório Convocados 2026, produzido pela Convocados e OutField com patrocínio da Galapagos Capital. O crescimento real ficou em 32% frente a 2024, impulsionado por entradas não recorrentes.

O estudo aponta que boa parte do avanço veio de transferências de atletas e premiações internacionais. Negócios com transferências renderam 3,9 bilhões de reais, alta de 63% em relação ao ano anterior, enquanto premiações somaram 1,6 bilhão.

Sem esse efeito extraordinário, a receita recorrente ficou em 9,5 bilhões, com crescimento real de 13%. Paralelamente, os clubes expandiram gastos e endividamento, elevando custos operacionais para 10,3 bilhões e dívidas consolidadas para 17,3 bilhões.

Receita, gastos e dívida

O relatório aponta investimentos em elencos, com 4,4 bilhões de reais gastos em direitos de atletas. Desafios estruturais aparecem na dependência de receitas ligadas a apostas esportivas e na adaptação ao novo Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) a partir de 2026.

Segundo a análise, apenas sete clubes estariam plenamente adequados às regras atuais do fair play financeiro brasileiro. A pesquisa também ressalta a necessidade de ajustes para reduzir vulnerabilidades financeiras no setor.

Análise do especialista

O economista César Grafietti, responsável pelo Convocados 2026, aponta que o crescimento das receitas é positivo, porém não resolve problemas de alavancagem. O estudo destaca forte expansão de receitas com venda de atletas e maior participação em transmissões.

Grafietti ressalta que o desempenho não depende apenas da adoção de SAFs, que não são solução única para o equilíbrio financeiro. Ele cita o avanço de Flamengo e a comparação com a dominante posição de grandes clubes europeus como referência.

Implicações para o futebol brasileiro

O relatório aponta que o impacto da base na receita de clubes como Palmeiras é significativo pela venda de atletas. Também abre espaço para discutir a aceitação de uma liga brasileira única, como possível desenho institucional para o futebol nacional.

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