- Pesquisadores passaram oito anos aperfeiçoando a grama que será usada em estádios da Copa do Mundo de 2026, com foco em desempenho, durabilidade e consistência em diferentes climas.
- Em domos e estádios ao ar livre, equipes testaram tipos de grama e técnicas de instalação para evitar saltos excessivos e prejuízos à jogabilidade, incluindo uso de luzes LED para estimular o crescimento.
- O mix de espécies varia por região: grama Bermuda em climas mais quentes e uma combinação de Kentucky bluegrass com perennial ryegrass em ambientes mais frios; cabos de fibra plástica foram incorporados ao tapete para melhorar a durabilidade.
- A produção e instalação das pastagens envolvem cortes de cerca de 1,2 metro por tiras, transporte refrigerado e cronograma de chegada próximo aos jogos, com ajustes para evitar áreas molhadas e buracos.
- O projeto recebeu mais de cinco milhões de dólares em investimentos e envolve a colaboração de universidades norte-americanas para replicar condições de domos e estádios, buscando padronizar o gramado e reduzir impactos na performance dos jogadores.
A Copa do Mundo de 2026 está a poucos meses de começar. Além de 104 jogos, o gramado recebe atenção especial: pesquisadores passaram mais de oito anos aperfeiçoando o terreno. Dois cientistas lideram o esforço, buscando o equilíbrio entre performance, segurança e adaptação climática.
O objetivo é garantir que o campo tenha tração estável, capacidade de absorção de impactos e pouca variação de comportamento entre estádios. Diante de críticas anteriores a gramados, o grupo trabalha para manter a consistência em todas as praças.
O trabalho envolve testes exaustivos de altura de corte, densidade, drenagem e resistência. Em simuladores, as equipes medem velocidade da bola, ressalto e pivôs para reduzir lesões e melhorar o ritmo do jogo.
O time por trás do gramado
John Sorochan, da Universidade do Tennessee, coordena o projeto para todas as 16 praças da Copa. Trey Rogers III, da MSU, colabora na instalação e na manutenção, incluindo estádios com domos. A meta é padronizar o desempenho entre locais distintos.
A pesquisa envolve mais de 170 experimentos, com ervas adaptadas a climas variados, irrigação específica e adições como fibras plásticas para reforçar a grama. A ideia é ter gramados que pareçam naturais, mas com sonho tecnológico de durabilidade.
Para grandes jogos em domos, a iluminação LED é usada para complementar a luz solar. Bobinas de grow lights se movem para estimular o crescimento sem depender do sol, garantindo qualidade constante.
Preparação prática e logística
O plantio ocorre próximo ao início do torneio, com grama sendo fornecida por fazendas nos EUA. O transporte envolve caminhões refrigerados e cortes precisos de tiras de grama, que chegam aos estádios já quase prontas para uso.
Em estádios com domo, a base de toras plásticas e sistemas de drenagem substituem parte do solo, evitando acúmulo de água e deformações. A meta é manter o campo estável e seguro, mesmo sob jogos intensos.
A FIFA investiu mais de US$ 5 milhões em pesquisas para a Copa de 2026. Segundo técnicos, o custo reflete a prioridade de garantir qualidade de campo, minimizando variações entre estádios e condições climáticas.
Impacto e expectativas
Especialistas afirmam que diferenças de apenas 5 milímetros no corte podem influenciar o comportamento da bola. Com o novo padrão, a expectativa é reduzir relatos de “elástico” ou ressalto excessivo vividos em torneios anteriores.
Os resultados do trabalho devem beneficiar não apenas a Copa, mas também o uso de grama em esportes de alto nível no futuro. Técnicas desenvolvidas podem inspirar melhorias em gramados de estádios e ambientes de ensino.
Os técnicos destacam que, apesar de o desafio ser grande, os avanços já mostram melhorias em simuladores e estágios de teste. A expectativa é de que os gramados mantenham qualidade por semanas, mesmo com jogos intensos.
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