- Martín Anselmi, do Botafogo, é o mais novo treinador demitido no mercado.
- Um estudo econométrico de 2018 mostra que ficar em cargo por cerca de sessenta e cinco dias não sustenta projeto; mudanças geram efeito inicial, mas não melhoram o desempenho a longo prazo.
- A troca constante de treinador desgasta a tática da equipe, aumenta a fadiga de adaptação e prejudica a coesão coletiva.
- No Brasil, demissões costumam ser especulativas, baseadas em expectativas não alinhadas com o elenco, elevando o risco após tropeços.
- A solução defendida é governança e estabilidade, com departamentos de futebol que protejam treinadores da volatilidade externa e valorizem a continuidade.
A análise tática de Gustavo Fogaça destaca a demissão de Martín Anselmi do Botafogo, marcada por uma sequência de mudanças no comando. O texto desafia a lógica de curto prazo no futebol e aponta que ficar pouco tempo no cargo não gera resultados consistentes. Em vez disso, gera adaptação constante, desgaste físico e mental dos atletas.
Segundo o estudo citado, a média de tenure dos técnicos no futebol brasileiro fica em torno de 65 dias. A conclusão é de que mudanças frequentes elevam custos com multas rescisórias e prejudicam a coesão tática do elenco. A cada troca, o time precisa reaprender estratégias e posições, freando o ganho de fluidez.
A tese central aponta ainda que a rotatividade favorece o “fato novo” momentâneo, sem impacto persistente. O clube pode gastar fortemente para contratar treinadores, mas o nível tático não se consolida, gerando fadiga de adaptação entre atletas. O resultado é um ciclo de instabilidade que não condiz com planejamento esportivo.
A discussão avança para a prática no Brasil: demissões costumam refletir avaliações subjetivas, sem considerar lesões, calendário ou contexto. Profissionais comandares de clubes de grande expressão, como o Palmeiras, são citados como exceções quando mantêm uma linha estável. A ideia é que estabilidade também é vantagem competitiva.
Para que o cenário mude, a reportagem recomenda governança interna, com departamentos de futebol que protejam treinadores da volatilidade externa. O argumento é que manter metodologia coerente, com planejamento de médio prazo, pode reduzir demissões e melhorar a performance no longo prazo.
O texto ressalta ainda o custo invisível da rotatividade, como burnout entre jogadores e perda de engajamento. Ao priorizar mudanças frequentes, clubes desvalorizam a continuidade de treinamento e a construção de identidade tática. A conclusão enfatiza que estabilidade não é passividade, mas base para resultados consistentes.
Em síntese, a análise aponta que o Brasil é o país que mais demite técnicos no futebol mundial. A narrativa sugere que a solução está em consolidar uma visão de jogo e fortalecer a comissão técnica como alicerce da estrutura esportiva, ao invés de recorrer ao “extintor de incêndio” a cada tropeço.
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