- Um bispo belga de Antuérpia, Johan Bonny, anunciou a intenção de ordenar padres casados até 2028, em meio à escassez de vocações.
- A proposta foi apresentadas em carta pastoral, destacando consenso entre lideranças eclesiásticas sobre a necessidade de discutir o tema.
- Bonny afirmou que o processo de seleção deve começar nos próximos anos, com formação teológica e pastoral equivalente à exigida hoje, de forma transparente, porém discreta.
- A disciplina atual da Igreja Católica mantém o celibato para sacerdotes do rito latino, com exceções como o diaconato permanente; casos de homens casados existem em ritos orientais e em outras denominações autorizadas.
- A discussão já ocorreu globalmente, incluindo em 2017, quando o papa Francisco buscou viris probati; a nova iniciativa surge do debate sobre adaptação diante da queda de vocações.
O bispo Johan Bonny, da Diocese de Antuérpia, na Bélgica, revelou a intenção de ordenar padres casados até 2028, diante da escassez de vocações. A proposta surge como resposta prática ao déficit pastoral em várias dioceses.
Bonny afirmou, em carta pastoral, que há consenso entre lideranças eclesiásticas sobre a necessidade de discutir o tema. Segundo ele, não é mais o questionamento sobre a possibilidade, e sim o quando e quem irá ordenar.
A ideia envolve iniciar um processo de seleção e formação de candidatos nos próximos anos. O bispo garante transparência no processo, com formação teológica e pastoral equivalente aos critérios atuais.
A justificativa é a queda no interesse de homens solteiros pelo sacerdócio em algumas regiões, o que afeta a atuação pastoral. A instituição aponta a necessidade de ampliar opções diante da demanda.
Contexto e regras atuais
O celibato clerical é regra no rito latino. O cânone 1042 impede a ordenação de homens casados, salvo exceções como o diaconato permanente. Existem situações de exceção reconhecidas pela Igreja.
Em ritos orientais, homens podem casar antes da ordenação. Convertidos de outras denominações, como anglicanos, também podem ser ordenados católicos quando autorizados, em casos específicos.
O tema já ganhou espaço global. Em 2017, o Papa Francisco discutiu a possibilidade de ordenar viris probati para a Amazônia, mas a ideia não ganhou avanço significativo na prática.
Líderes eclesiásticos têm reaberto o debate. Em 2022, o cardeal Reinhard Marx apoiou a discussão sobre o celibato, sugerindo que padres casados poderiam ajudar a vida pastoral diante de dificuldades internas.
A iniciativa de Bonny ocorre em meio a um debate mais amplo sobre adaptar práticas tradicionais frente a mudanças sociais e à diminuição de sacerdotes.
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