- John M. Perkins, voz evangelística que combateu o racismo, morreu aos 95 anos na última sexta-feira.
- Ele defendia que o enfrentamento à desigualdade não é opcional, mas central à fé cristã e à renovação das comunidades.
- Perkins desenvolveu a filosofia “relocação, reconciliação e redistribuição” e fundou a Christian Community Development Association (CCDA).
- Sua trajetória inclui participação em movimentos de direitos civis, enfrentando violência racial e promovendo dessegregação escolar e cooperação entre comunidades negras e brancas.
- Sobrevive a Vera Mae Buckley e sete filhos; o filho Spencer faleceu em 1998.
John M. Perkins, voz evangélica que promoveu a reconciliação racial, morreu na sexta-feira aos 95 anos. O falecimento encerra a trajetória de um líder que defendia o evangelho contra o racismo como núcleo da vida cristã.
Perkins deixou a vida marcada pela fé prática. Em suas palavras, a atuação bíblica deve envolver relocação, reconciliação e redistribuição, levando a igreja a acolher necessidades reais em comunidades carentes e a promover mudanças sociais profundas.
Nascido em 1930 numa família negra de Mississippi, ele enfrentou segregação desde a infância. A trajetória incluiu migração para o sul da Califórnia, trabalho em foundry, conversão religiosa e formação de ministérios voltados ao alcance de pessoas marginalizadas.
A partir da década de 1960, Perkins uniu fé e ação cívica, ajudando a registrar eleitores, promover cooperativas e desafiar a segregação em escolas e comércios. Em 1970 sofreu atentado policial durante protesto, episódio que intensificou sua convicção de que o evangelho deve transformar estruturas sociais.
A partir de 1975, passou a integrar esforços de cooperação com líderes brancos e a promover uma cristologia que rompeu barreiras raciais. Esse movimento resultou na fundação da CCDA, rede de igrejas dedicada à aplicação prática do evangelho na justiça social.
Ao longo das décadas, Perkins recebeu reconhecimento entre evangélicos brancos e criou uma vasta produção de livros e palestras. Seu legado inclui a influência sobre milhares de congregações e a promoção de políticas de justiça, hospitalidade e solidariedade.
Perkins deixa a esposa Vera Mae e sete filhos. Ao longo da vida, ele passou a orientar líderes para que o cristianismo não fosse apenas culto, mas uma força transformadora que confronta desigualdades e promove participação cívica.
Legado e recepção
A atuação de Perkins foi reconhecida por líderes da fé, que o chamaram de profeta pela coragem de defender a justiça racial. Seu trabalho com a CCDA reuniu mais de 600 grupos cristãos comprometidos com a prática do evangelho social.
Na memória de sua obra, colegas destacam a insistência em que a igreja enfrente desigualdades estruturais e que o amor cristão se manifeste em ações concretas. A defesa da dignidade humana permaneceu como norte de sua vida pública.
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