- No dia quinze de janeiro, em Santiago Malacatepec, Oaxaca, líderes católicos exigiram que o pastor Mariano Velásquez Martínez participasse da festa dedicada a São Tiago, incluindo acender velas, ajoelhar-se e rezar diante da imagem.
- O pastor aceitava atuar na comunidade apenas fornecendo velas e flores; ao recusar os atos de devoção, foi detido por cinco dias e, depois, expulsado da vila.
- Velásquez Martínez foi levado a uma assembleia de cerca de cento e oitenta homens, onde autoridades anunciaram a expulsão e ele assinou um documento de saída forçada, sem receber cópia.
- Após a expulsão, ele, a esposa e o filho de três meses ficaram com familiares na cidade de Oaxaca; a congregação que ele liderava já havia enfrentado expulsões anteriores.
- O caso ocorre em meio a debate sobre a nova Lei de Deslocamento Forçado em Oaxaca, que prevê penas de dez a dezoito anos de prisão, e leva escolas e autoridades a serem cobradas por proteger a liberdade religiosa.
O pastor protestante Mariano Velásquez Martínez foi detido por cinco dias e expulso da aldeia de Santiago Malacatepec, em Oaxaca, México, após rejeitar participar de rituais católicos locais dedicados a São Tiago. O caso aconteceu em 15 de janeiro, quando líderes religiosos exigiram a participação dele.
De acordo com a organização Christian Solidarity Worldwide (CSW), Velásquez Martínez queria apenas manter a função comunitária atribuída, fornecendo velas e flores, sem atos de devoção diante da imagem. A decisão foi tomada após a recusa.
A detenção ocorreu de forma informal e, segundo relatos, o pastor foi amarrado e levado a uma assembleia de cerca de 180 homens, onde foi anunciada a expulsão da comunidade. Ele assinou um documento de saída, sem receber cópia.
Após o episódio, a família — o pastor, a esposa e o filho de três meses — buscou abrigo com familiares na cidade de Oaxaca. Velásquez Martínez liderava a Iglesia Camino Nuevo y Vivo, que reúne cerca de 25 membros.
Contexto legal e resposta
A CSW destaca que Oaxaca aprovou, em setembro, lei que criminaliza o deslocamento forçado, com penas de 10 a 18 anos de prisão. A norma serve de referência para casos como este, segundo ONG.
Autoridades locais dizem que parte dos deslocamentos forçados no estado decorre de intolerância religiosa. O advogado Porfirio Flores Zúñiga apresentou queixas contra funcionários municipais por abuso de autoridade.
Também houve encaminhamentos à Defensoria de Direitos Humanos do Povo de Oaxaca, com pedido de providências. Até 19 de janeiro, não houve medidas divulgadas pelas autoridades.
Repercussos e contexto regional
A diretora de defesa de direitos da CSW, Anna Lee Stangl, classificou o ocorrido como grave e inadequado. A organização aponta falhas na aplicação de compromissos constitucionais e internacionais de proteção religiosa.
A Constituição mexicana garante liberdade religiosa, mas permite usos e costumes de comunidades indígenas. Em muitos casos, isso entra em choque com direitos constitucionais, gerando tensões entre minorias e tradições locais.
A CSW afirma que Oaxaca tem uma das maiores incidências de violações à liberdade religiosa no país. A organização cobra ações imediatas para responsabilizar envolvidos e garantir proteção igualitária.
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