- O levantamento State of the World’s Fathers, que ouviu oito mil pais globalmente, teve 533 respondentes da Austrália.
- Entre genZ (dezoito a vinte e oito anos), setenta e dois por cento acredita que a obrigação exclusiva do pai é prover financeiramente para os filhos; esse índice cai para sessenta e um por cento entre os millennials e para cinquenta e sete por cento entre a geração X.
- também entre genZ, sessenta e cinco por cento acha que “as coisas são melhores se homens trabalham fora e mulheres ficam com os cuidados”, frente sessenta e seis por cento dos millennials e quarenta e cinco por cento da geração X.
- os millennials aparecem como o grupo mais tradicional em todas as perguntas sobre cuidado, e, apesar de avanços na presença dos pais, existem barreiras como pressões financeiras e normas de gênero enraizadas.
- o relatório aponta que políticas como licença parental paga, trabalho flexível e apoio à criança podem favorecer a participação dos pais, com mais de noventa por cento dizendo que cuidado importa tanto quanto o trabalho pago.
O estudo Australian State of the World’s Fathers analisou 8 mil pais globalmente, dos quais 533 são da Austrália. A pesquisa aponta que, entre os gen Z (18 a 28 anos), 72% acreditam que a obrigação de sustentar financeiramente os filhos é exclusiva do pai. Essa visão é menos comum entre millennials (29 a 44 anos) e gen X (45 a 60 anos), com 61% e 57%, respectivamente.
Além disso, 65% dos gen Z concordam que “as coisas são melhores se os homens trabalham e as mulheres cuidam” — um percentual próximo ao dos millennials (66%) e bem acima do gen X (45%). Mesmo com mudanças de comportamento, ainda há entraves à igualdade, impulsionados por normas de gênero arraigadas e pressões financeiras.
Apesar de avanços na participação parental, o estudo aponta barreiras reais à igualdade. As normas que associam homens ao sustento e mulheres aos cuidados ainda se mantêm entre os trabalhadores, e políticas de apoio insuficientes limitam escolhas familiares. Dados indicam que políticas de licença e flexibilidade costumam aumentar a participação paterna.
Atrasos e impactos
Os autores destacam que meninos ainda recebem menos estímulo para desenvolver habilidades domésticas, enquanto mais de 90% dos pais surveyed afirmam que a preocupação com o cuidado é tão relevante quanto o trabalho remunerado. A “carga de cuidado” é citada como fator que influencia a vida profissional dos pais.
O relatório releva que a remuneração desigual entre gêneros pode restringir escolhas sobre quem trabalha e quem cuida. Observa-se que, mesmo com desejo de engajamento emocional, longas jornadas e condições de emprego limitadas dificultam a participação plena de pais no cuidado infantil.
100% dos pesquisadores enfatizam a necessidade de mudanças estruturais. Recomenda-se ampliar licença parental remunerada, tornar a creche mais acessível e manter políticas que permitam horários flexíveis sem penalidade de carreira. A atuação pública e empresarial é apontada como crucial para avanços.
Exemplos e percepções
Um exemplo citado é o de Zac Cracknell, que deixou o emprego para abrir uma empresa de piscinas. Casado e com filha pequena, ele descreve tensão entre renda e presença em casa, estimando que a divisão de responsabilidades fica próxima de 70-30 a favor da parceira no cuidado direto, embora ele também trabalhe. A flexibilidade de ser autônomo ajuda, mas impõe pressão para manter a renda.
O estudo também registra que mais de 40% dos pais afirmaram que não devem ser ensinadas habilidades domésticas aos filhos, enquanto a percepção de que o cuidado deve ser compartilhado persiste entre a maioria. Entre pais e mães, há concordância de que o cuidado tem valor equivalente ao trabalho pago.
Entre na conversa da comunidade