- Cada vez mais pessoas adotam o “baixo contato” com os pais e outros parentes, para ganhar tempo e espaço emocional sem romper totalmente os laços.
- Marie, na casa dos quarenta, passou a não atender ligações nem visitar a mãe, mantendo contato apenas com propósitos específicos, como notícias importantes ou cuidados com avós.
- Georgina, nos seus trinta, também reduziu o contato, mas busca manter o vínculo para que os filhos convivam com os avós e primos, em encontros pontuais.
- especialistas apontam que o baixo contato tem ganhado espaço e pode ser uma alternativa entre o no contato total e o afastamento definitivo, especialmente para evitar danos maiores.
- psicoterapeutas destacam que a prática pode envolver estratégias como encontros em locais neutros, atividades em vez de conversas longas e manter limites claros, além de reconhecer que pode haver arrependimentos ou luto.
Marie decidiu reduzir drasticamente o contato com a mãe após anos de relacionamento marcado por rejeição e discussões frequentes. Ela pediu espaço, mudou rotinas e estabeleceu limites claros com o intuito de proteger a família.
A experiência começou a ganhar forma após uma crise em que Marie revelou ao terapeuta estar lidando com neurodivergência. A partir daí, ela optou por não atender mais todas as ligações e restringiu visitas, mantendo contato apenas quando necessário para assuntos relevantes.
A decisão não envolve ruptura total: o objetivo é manter laços com a família extensa, incluindo avós e os filhos do casal. O foco, segundo Marie, é reduzir culpa e preservar o vínculo afetivo sem abrir mão da segurança emocional.
Georgina, outra interlocutora, também adotou o que chama de contato muito baixo com os pais e irmãos. Ela ressalta que a convivência sempre foi marcada pela instabilidade emocional, o que a levou a priorizar o bem-estar das crianças ao permitir encontros apenas em momentos controlados.
Para a terapeuta Caroline Cavallo, esse caminho tem ganhado adesão nos últimos anos. A profissional aponta que uma parcela relevante da população vive processos de Estranjo familiar, e que o equilíbrio entre distância e manutenção de laços pode evitar danos maiores.
Cavallo observa que o distanciamento parcial pode ser útil quando há riscos significativos, como violência ou abusos. Ela recomenda avaliações de risco antes de qualquer reunião familiar e vê o modelo de LC como uma ponte entre não cortar tudo e manter relações saudáveis.
Ainda assim, especialistas destacam que o baixo contato pode exigir ajustes ao longo do tempo. Participantes do estudo apontam que a ausência total de diálogo não elimina sentimentos, e a prática pode abrir espaço para futuras conversas mais saudáveis.
Outra perspectiva aponta que, historicamente, relações familiares com menos contato eram comuns. Pesquisas indicam que mudanças culturais e tecnológicas influenciaram na frequência de encontros, mensagens e encontros presenciais entre familiares.
Caroline, em seus 50 anos, também adotou o LC após um episódio de crise que envolveu a mãe. Hoje, mantém contato diário com limites temporais bem definidos, o que facilita a autorreflexão e o manejo de emoções sem romper completamente o vínculo.
Ela observa ainda que seus filhos adultos também passaram por momentos de no contact com ela após desentendimentos. A experiência, segundo ela, reforça a ideia de que o LC pode ser uma ferramenta para buscar mudanças pessoais sem condenar relações familiares amplas.
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