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Novo filme sobre Leonora Carrington mescla fatos e ficção

Filme mescla fatos e ficção na vida de Leonora Carrington, com narrativa não linear e passagens que alimentam leitura ambígua

Still from *Leonora in the Morning Light* with Leonora Carrington (Olivia Vinall) with André Breton (Denis Eyriey) and Max Ernst (Alexander Scheer) © Luna Zscharnt, Dragonfly Films, Alamode Films
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  • Novo filme Leonora in the Morning Light mistura fatos e ficção sobre a pintora Leonora Carrington, baseado em obras de Elena Poniatowska e Michaela Carter, explorando uma narrativa semelhante a um jogo de Exquisite Corpse.
  • Dirigido por Thor Klein e Lena Vurma, o filme é não linear e começa em 1951, no México, com Carrington e Edward James, retornando depois à Paris dos anos vinte e trinta.
  • A obra aborda o feminismo na Surrealismo, com personagens como André Breton, Salvador Dalí e Max Ernst, e discute o papel das musas na revolução surrealista.
  • O enredo retrata a fuga de Carrington para a Espanha, sua institucionalização em Madrid e eventual retorno ao México, com divergências em relação a fatos históricos reais.
  • O filme está em cartaz em Dublin, bem como em cidades da Inglaterra e da Escócia; o trailer também está disponível.

Leonora in the Morning Light é um filme novo sobre a pintora surrealista Leonora Carrington, nascida em 1917 e falecida em 2011. A obra mistura fatos com ficção, seguindo uma adaptação literária de Elena Poniatowska que ganhou o título Leonora em 2011. O longa também bebe de uma outra narrativa ficcional, criada por Michaela Carter e publicada em 2021.

Dirigido por Thor Klein e Lena Vurma, o filme usa uma estrutura não linear. Inicia em 1951, no México, com Carrington encontrando o patrono britânico Edward James, que vive entre México e a Inglaterra e edifica Las Pozas, na Serra de Xilitla. A partir daí, retrocede aos anos 1930, em Paris, onde Carrington se envolve com o artista Max Ernst.

A narrativa acompanha o debate sobre o papel da mulher na vanguarda surrealista, com referências a André Breton e a Dalí. Em cenas históricas, Carrington questiona o rótulo de musa versus artista, destacando a autonomia de sua visão criativa. O diálogo entre os personagens sinaliza tensões entre mito e vivência prática.

A peça dramática mostra a relação entre Carrington e Ernst, com cenas de criação de obras e de viagens. Em Saint-Martin-d’Ardèche, na França, o casal produz esculturas em bas-relief e pratica natação sem roupas, em um ambiente que reforça o tom de liberdade da época.

No entanto, o filme apresenta divergências em relação aos fatos históricos. Em determinado momento, associa a internação de Carrington à prisão de Ernst por motivos de nacionalidade, fato que ocorreu de forma diferente na realidade. O enredo também não aborda violência sofrida por Carrington durante a ocupação na Espanha.

Posteriormente, a protagonista retorna ao México, onde se reconcilia com a vida artística e familiar. Casada com o fotógrafo István Weisz, Carrington tem dois filhos e se aproxima de comunidades locais. A obra destaca encontros com mulheres indígenas e com saberes artísticos regionais.

Em Mexico City e no interior, Carrington é apresentada como alguém que integra relatos de culturas diversas. A narrativa enfatiza como as histórias de Ximena e de uma antiga cidade indígena influenciam sua produção, culminando na percepção de quem ela realmente é como artista.

O filme está em circulação em espaços culturais de Dublin, além de salas no Reino Unido. O público pode acompanhar o projeto por meio de trailers oficiais, que indicam uma leitura pouco linear da vida da artista e críticas ao conceito de genialidade associada à loucura.

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