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Produtora de ‘Dark Horse’, filme sobre Bolsonaro, é tema de apuração

GoUP Entertainment, responsável por Dark Horse, é alvo de apurações sobre uso de recursos públicos na produção; prefeitura nega irregularidades e coopera com as investigações

Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em evento da Rota em outubro de 2023
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  • A GoUP Entertainment, comandada por Karina Ferreira da Gama, é responsável pelo longa Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, e envolve polêmica ligada a Flávio Bolsonaro.
  • A Polícia Civil de São Paulo investiga suposto desvio de recursos do programa WiFi Livre SP para custear a produção, com aditivos elevando o contrato para R$ 157,1 milhões e pelo menos R$ 26 milhões pagos sem efetiva prestação de serviço.
  • A Prefeitura de São Paulo afirmou repúdio às ilações de desvios e disse que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu os princípios de legalidade, transparência e economicidade, informando colaboração às autoridades.
  • Karina afirma que Vorcaro financiou mais de 90% da produção; o orçamento do filme está em cerca de 13 milhões de dólares e Vorcaro seria intermediador, não investidor, segundo ela; o UOL entrou em contato com a produtora.
  • Trabalhadores de Dark Horse denunciam irregularidades, com dossiê do Sated-SP relatando condições de trabalho precárias, revistas abusivas e até um caso de agressão entre segurança e ator.

A produtora GoUP Entertainment, responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro, Dark Horse, é chefiada por Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil. A instituição é alvo de operação da Polícia Civil de São Paulo para apurar supostas fraudes em contratos com a Prefeitura.

O filme, que aborda a trajetória do ex-presidente, ganhou evidência de polêmica após pesquisas de áudio envolvendo Flávio Bolsonaro indicarem cobrança de recursos para custear a produção. Segundo o material, Daniel Vorcaro, dono do Master, teria feito repasses que somam cerca de 134 milhões de reais, com 61 milhões já pagos.

A investigação aponta que aditivos contratuais elevam o valor do acordo para 157,1 milhões de reais, com indícios de pagamentos sem prestação de serviço. A Prefeitura de São Paulo disse repudiar desvios e afirmou que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu padrões de legalidade, transparência e economicidade.

Karina Ferreira da Gama afirmou que Vorcaro financiou mais de 90% da produção, que está em pós-produção, com orçamento de cerca de 13 milhões de dólares. A GoUP havia negado recebimento de recursos de Vorcaro em nota anterior, e a empresária declarou ter buscado novos investidores após a prisão do empresário.

O roteiro de Dark Horse é assinado por Mário Frias, que destinou 2 milhões de reais em emendas ao ICB. A movimentação financeira desse repasse é objeto de apuração no STF. O instituto também é investigado no âmbito da operação Wi-Fi, que mira contrato de 108 milhões com a SMIT.

Investigações e contratos

Três pontos centrais aparecem nas apurações: possíveis desvios de recursos do programa WiFi Livre SP, uso de contas de empresas subcontratadas e o possível desvio de verba para a produção do filme. A Polícia Civil aponta confusão patrimonial entre o ICB e a GoUP, com indícios de uso de verbas públicas para financiar a obra.

O município afirmou que coopera com as autoridades e continua a acompanhar o andamento das investigações. A gestão municipal ressaltou que o contrato foi firmado seguindo critérios de legalidade e transparência, e que já forneceu informações solicitadas.

Condições de trabalho nos bastidores

Um dossiê do Sated-SP reúne relatos de irregularidades durante as gravações, incluindo etapas de contratação e procedimentos da produção. Trabalhadores relatam revistas inadequadas, cobranças indevidas e diferenças de tratamento entre profissionais. O documento cita ainda um caso de agressão envolvendo segurança e ator.

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