- Marcelo Mesquita, diretor, se envolveu diretamente na investigação que originou a série ao ler o inquérito e depor que seu próprio nome aparecia no documento.
- A série Pico dos Marins: O Caso do Escoteiro Marco Aurélio chegou ao Globoplay em 12 de maio, com oito episódios que expandem o podcast de 2022, que teve mais de um milhão de downloads.
- Marco Aurélio Simon era um escoteiro de quinze anos que sumiu em oito de junho de 1985, durante expedição ao Pico dos Marins, em Piquete, interior de São Paulo.
- Mesquita conheceu Seu Ivo, pai do jovem, em dois mil e oito; a história ganhou contornos ao longo de oito anos de produção, guiada pela busca do pai não para exibir sofrimento, mas para encontrar o filho.
- A produção combinou material de arquivo filmado durante visitas a Piquete, entrevistas e ida ao Pico, e a pandemia ajudou a reabrir o caso, levando Mesquita a mudar de formato e aceitar fazer a série com câmera, não apenas começar por podcast.
Marcelo Mesquita, diretor de Pico dos Marins, foi envolvido diretamente na investigação que deu origem à série do Globoplay. O projeto revisita o desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Simon, ocorrido em 8 de junho de 1985, durante expedição ao Pico dos Marins, em Piquete, interior de São Paulo. A produção estreou no Globoplay em 12 de maio, com oito episódios.
Na trajetória da série, Mesquita encontrou seu próprio nome no inquérito policial, o que o surpreendeu. Ele lembra que, ao folhear os documentos, viu dados sobre com quem havia conversado e o que fazia, o que causou espanto. Em bar, a reação foi de risos para quem ouvira falar do episódio.
O começo da relação com o caso
Mesquita conheceu Seu Ivo, pai de Marco Aurélio, em 2018. O encontro durou mais de uma tarde, com o pai apresentando uma caixa de recortes, fotografias, mapas e depoimentos. O documentarista relata que a intenção de Seu Ivo era buscar o filho, sem expor seu próprio sofrimento.
A produção enfrentou um caminho tortuoso antes de chegar ao formato atual. Em 2018, o projeto enfrentou objeções de investidores que diziam que a história não tinha fim definitivo. A pandemia reabriu o caso e aproximou a Globo da ideia de transformar o podcast em série.
Da ideia ao formato audiovisual
Mesquita inicialmente rejeitou a proposta de podcast por seis meses, temendo exponênciação pessoal. O envolvimento da pandemia, a chegada de um filho e a percepção de que a janela de oportunidade poderia fechar o motivaram a aceitar, sob a condição de filmar, não apenas gravar.
Essa decisão criou uma continuidade entre podcast e série, pois todo o material audiovisual gerado durante visitas a Piquete, entrevistas e deslocamentos ao Pico dos Marins foi utilizado como arquivo para a produção. Quem ouviu o podcast reconhece cenas já gravadas.
O amadurecimento da investigação
O que a série acrescenta é o tempo de amadurecimento da pesquisa. Ao longo de oito anos, Mesquita revisou hipóteses e percebeu que as primeiras impressões sobre os envolvidos não se sustentavam. O documentarista diz que a narrativa ganhou camadas ao ampliar a leitura do inquérito.
A forma de contar a história também mudou. Em momentos de dúvida narrativa, o diretor recorre ao exemplo de Seu Ivo para orientar a linha de investigação, mantendo o foco na responsabilidade de buscar a verdade com base em provas.
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