- A artista Shahzia Sikander apresenta o filme de animação 3 to 12 Nautical Miles, exibido na fachada digital do M+ em Hong Kong até 21 de junho.
- O trabalho usa a história das Guerras do Ópio para explorar as relações entre China, Sul da Ásia e a Companhia Britânica das Índias Orientais, destacando a mercantilização e o domínio marítimo.
- A animação relaciona o enfraquecimento do Império Mughal, o declínio da dinastia Qing e o ascenso da EIC, por meio de motivos visuais sobrepostos e cartográficos.
- Elementos como papoulas, porcelana azul e branca e um trono mogol sugerem dualidades entre prazer e dor, conquista e refinamento, com a geografia sendo portable e extractiva.
- A obra foi co-comissionada pelo M+ e pela Art Basel e utiliza a fachada do museu, à beira-mar, para enfatizar a soberania marítima como tema central.
A artista Shahzia Sikander apresenta uma nova animação que examina a relação entre poder, comércio e território. Intitulada 3 to 12 Nautical Miles, a obra estreou na substance da instalação digital do M+ em Hong Kong, onde fica em exibição até 21 de junho. A produção analisa a soberania costeira além dos limites tradicionais, conectando história de China, Sul da Ásia e a Companhia Britânica das Índias Orientais.
A animação utiliza cartografia como fio condutor para revelar como a autoridade se constitui, é contestada e é aplicada. Sikander investiga, por meio de um cadáver de desenhos, como a distância marítima se tornou um marco de domínio, vigilância e acesso. A técnica empregada é contínua e artesanal, com desenho à mão, variações de tinta e camadas sobrepostas.
A obra recorre às Guerras do Ópio como ponto de partida para explorar relações históricas entre China, Sul da Ásia e o EIC, enfatizando o impacto de conflitos no século XIX. As cenas conectam o enfraquecimento do Império Mughal, o declínio da dinastia Qing e a ascensão da presença colonial britânica.
Entre as imagens, aparecem narcisos opiáceos que remetem à droga e às suas implicações. A produção mostra porcelana azul e branca com papoulas, além de um trono mogol em desvanecimento. Outra cena traz a Rainha Victoria com colares de pérolas que exibem mapas de Índia e Hong Kong.
A narrativa visual destaca a supremacia naval britânica como contraste com navios chineses. Ao acompanhar estudos de cartas em um museu de Hong Kong, Sikander observa pinturas de comércio do século XIX que ajudam a estruturar a crítica sobre um sistema extrativista.
O M+ fica na orla, encontro entre terra e mar, cultura e comércio. A artista aponta que Hong Kong representa não apenas um estudo de caso, mas um limiar territorial relevante para o tema da obra.
- Shahzia Sikander: 3 to 12 Nautical Miles, M+ Digital Façade, Hong Kong, até 21 de junho.
- Cocomissionada pelo M+ e pela Art Basel, a animação se insere na programação pública da cidade.
Entre na conversa da comunidade