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Pixar dispensa IA e busca retorno às origens em nova animação

Pixar mantém foco no toque humano e retorno às origens, com cautela diante da IA enquanto lança animação que privilegia a narrativa over a tecnologia

O prédio principal do campus da Pixar, na Califórnia, com o design que lembra Steve Jobs
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  • A Pixar sinaliza retorno ao toque humano e dispensa IA em nova animação, mantendo processo artesanal em Hoppers, que estreia em março.
  • A decisão ocorre em um cenário de mudanças na Disney, com parcerias em IA, e a empresa enfatiza resgatar a cultura criativa diante da concorrência de streaming.
  • O diretor de Hoppers afirma que a animação não usa IA; o projeto, iniciado em dois mil dezenove, contou com centenas de profissionais e consultas científicas.
  • O filme utiliza dados reais para alimentar a animação em quatro etapas: pesquisa de campo, modelagem, desenho e storytelling.
  • Toy Story cinco, com lançamento previsto para junho, seguirá a linha de manter a narrativa humana como foco frente às tecnologias emergentes.

A Pixar sinaliza uma guinada estratégica ao apostar no toque humano e em processos artesanais na sua próxima animação, sem abrir mão de tecnologia. A notícia aponta para uma volta às origens após anos de uso crescente de IA e automação em produção audiovisual. O estúdio, sediado em Emeryville, Califórnia, mantém o foco em narrativas e desenho manual.

Ivo Kos, veterano executivo de design de objetos e efeitos visuais, relata que a estrutura do campus foi pensada para equilibrar tecnologia e artes. O modelo da parede de tijolos, criado sob demanda na época de Steve Jobs, continua a inspirar a visão da Pixar, segundo Kos. O objetivo é manter a qualidade estética sem abrir mão da criatividade humana.

A decisão ocorre em um contexto de mudanças na indústria. A Disney, proprietária da Pixar desde 2006, passa por transições de comando e firmou parcerias com a OpenAI. Além disso, a Pixar enfrenta pressão de distribuidoras e de concorrentes como Netflix e YouTube, que disputam tempo de tela em um mercado de streaming que deve superar US$ 250 bilhões em 2025.

Aposta pela cultura criativa

Kos afirma que a Pixar pretende resgatar a cultura interna para enfrentar conteúdos efêmeros e concorrência acirrada. A empresa mantém a cautela quanto à IA, destacando que ainda não encontrou uma forma de integrá-la aos seus processos que são essencialmente artesanais. A ideia é preservar a sensibilidade humana na criação.

Pete Docter, diretor criativo da Pixar, questiona o papel da IA generativa, descrevendo-a como uma média pouco inspiradora que pode empobrecer a criatividade. A orientação é usar a tecnologia de forma cirúrgica, como apoio ao trabalho artístico, sem substituir o traço humano.

Processo de produção de Hoppers

O filme Hoppers, com estreia prevista para março, traz a recusa à IA na prática. O diretor Daniel Chong explica que a animação foi construída com centenas de profissionais aplicando intencionalidade em cada frame, com consultoria biológica e referência física de biomas em argila para orientar o trabalho. O projeto prioriza dados reais em vez de dependência total de algoritmos.

A produção utiliza quatro fases: pesquisa de campo com apoio científico, modelagem com pinceladas digitais, desenho manual para definição de tom da protagonista e uma abordagem colaborativa de storytelling. O objetivo é manter a qualidade estética e a humanidade da narrativa, mesmo com recursos tecnológicos disponíveis.

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