- Feels Like Home, filme de baixo orçamento, lota cinemas de Budapeste antes das eleições parlamentares de 12 de abril.
- A obra acompanha Rita, vendedora que é abduzida por uma família que segue um pai autoritário; mesmo fora, o controle persiste.
- Críticos veem paralelos com o governo de Viktor Orbán e com o fortalecimento de redes de apoio ao regime, em meio a 16 anos de liderança.
- O diretor Gábor Holtai diz não ter criado a narrativa como metáfora política, mas reconhece que o filme é interpretado assim pelo público.
- A indústria cinematográfica húngara sofre com o papel do National Film Institute, com filmes surgindo fora do subsídio estatal e refletindo o ambiente político atual.
Feixes Like Home (Itt Érzem Magam Otthon) estreia em meio à tensão eleitoral na Hungria, com exibição em Budapeste poucos dias antes das eleições parlamentares marcadas para 12 de abril. O filme, de baixo orçamento, chegou aos cinemas enquanto a política do país vive um momento de intensidade, suscitando interpretações sobre o regime de Viktor Orbán. A história acompanha uma vendedora que é sequestrada por uma família que segue as ordens de um patriarca autoritário; a tentativa de fuga da protagonista revela que, mesmo fora, o grupo parece dominar muitos aspectos da vida.
O enredo é visto como tela para reflexões sobre poder e controle, temas que ganharam relevância na cobertura sobre o governo de Orbán, que já acumula 16 anos à frente do país. Críticos afirmam que o premiê tem consolidado influências sobre instituições independentes, com impactos na democracia, enquanto a oposição tenta consolidar uma alternativa política. Em Budapeste, espectadores identificaram paralelos entre o filme e o atual cenário político, especialmente entre o líder do partido Tisza e a narrativa da obra.
Em sessões realizadas no centro de Budapeste, o público presente demonstrou identificação com o grupo retratado no filme, segundo relatos de frequentadores. Parte das pessoas vestia logotipos do Tisza, partido recém-criado que desafia a liderança de Orbán e o partido governista. Procuras por uma leitura crítica da produção ressaltaram que o filme seria, para alguns, uma visão alegórica sobre o ambiente político vigente.
O diretor Gábor Holtai afirmou que a obra não teve a intenção de ser uma metáfora explícita sobre a vida na Hungria, mas reconheceu que a associação é natural entre o público, dadas as condições políticas atuais. Holtai acrescentou que, em contextos internacionais onde regimes autoritários tiveram precedentes, a percepção sobre o presente e o passado pode se intensificar durante a exibição.
O elenco inclui Áron Molnár, ator que interpreta o sequestrador, conhecido por críticas públicas ao governo nas redes sociais. Molnár já protagonizou debates online envolvendo figuras políticas, gerando reações acaloradas de representantes do espectro governista. A produção também chamou a atenção pela forma como o cinema nacional tem sido impactado pela gestão pública, com o Instituto Nacional de Cinema (NFI) exercendo influência sobre financiamentos e diretrizes temáticas.
Críticos nacionais destacam que Feels Like Home se insere em um momento em que o cinema honesto tem surgido com recursos reduzidos, buscando impactar o público através de narrativas fortes e reflexivas. O filme tem atraído plateias diversas, com algumas sessões registrando alta procura em comparação a produções locais de maior orçamento, sinalizando um público receptivo a produções que dialogam com temáticas políticas sem entregar julgamentos.
Margit e Róbert, espectadores que retornaram ao cinema, comentaram que a obra permanece na memória após a sessão; ambos destacaram a relevância de discutir o clima político por meio do cinema, sem enquadrar o filme como posicionamento partidário. Um dos frequentadores, de 73 anos, reforçou o desgaste com a polarização do país e a curiosidade sobre os desdobramentos eleitorais.
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