- Mais de 700 cineastas assinaram uma petição de apoio a Tricia Tuttle, chefe americana do Berlinale, após controvérsia sobre discursos pró-Palestina no gala de encerramento.
- Entre os signatários estão Tilda Swinton, Todd Haynes, Sean Baker, Kleber Mendonça Filho, além de cineastas israelenses Oren Moverman e Ari Folman.
- O governo alemão divulgou reunião de crise para discutir o futuro da Berlinale e as relações entre liberdade artística e independência institucional.
- A reunião pode resultar na demissão de Tricia Tuttle, segundo a imprensa, citando fontes próximas ao chefe de cultura alemão Wolfram Weimer.
- Mochila de tensão envolve críticas a discursos no evento, fotografia de equipe de Abdallah al-Khatib com keffiyeh e bandeira palestina, e debates sobre proteção à liberdade de expressão na cultura.
Um protesto em defesa de Tricia Tuttle, diretora-geral da Berlinale, ganhou força após relatos de que ela pode ser demitida por comentários de vencedores de premiações que criticaram a guerra em Gaza e o apoio da Alemanha a Israel. A mobilização inclui nomes expressivos do cinema e da direção.
A crise ganhou contornos oficiais na Alemanha, com a convocação de uma reunião de crise pelo comissário federal de cultura e mídia, Wolfram Weimer. O objetivo foi discutir o futuro da Berlinale e estabelecer as próximas ações entre Tuttle e o conselho supervisor do festival.
(Dois parágrafos de contexto) Segundo informações, a reunião de quinta-feira tratou do estágio atual da direção do festival e das repercussões institucionais. Fontes próximas ao governo indicaram que a conversa pode ter consequências sobre a liderança, mas o desfecho ainda não foi decidido.
Apoio de cineastas ganhou proporções globais. Quase 700 profissionais assinaram uma petição a favor de Tuttle, incluindo vencedores de Oscar, ex-presidentes de júri da Berlinale e diretores renomados. A reivindicação defende a liberdade artística e a independência institucional.
Além disso, a associação PEN Berlin manifestou preocupação com a possibilidade de demissão. A entidade ressaltou que as falas de Abdallah al-Khatib, vencedor de melhor primeira obra, estão protegidas pela liberdade de expressão, e pediu que Tuttle não seja responsabilizada pelas declarações de participantes.
A Berlinale, que completa 76 anos, enfrenta há tempos tensões entre a cena internacional e o alinhamento político de autoridades alemãs que influenciam as finanças do festival. Tuttle assumiu a gestão em 2024, já sob críticas sobre a guerra na região.
O contexto envolve ainda a campanha de diplomatas culturais para manter aberta a discussão pública durante o festival. Em aberturas anteriores, o festival já vivenciou momentos de debate sobre liberdade de expressão e atuação cultural diante de crises globais.
Repercussões e perspectivas
A reportagem apurada aponta que a posição de Weimer pode evoluir nos próximos dias. A Berlinale continua com a programação e a agenda de premiação, sob o impacto de discussões sobre o equilíbrio entre liberdade artística e responsabilidade institucional.
Wim Wenders, presidente do júri no ano, e outros signatários defenderam a continuidade do diálogo e a proteção de espaços de dissenso. O episódio gerou debates sobre o papel de festivais de cinema como palco de posicionamentos políticos.
A confirmação oficial sobre eventuais mudanças na direção da Berlinale ainda não foi anunciada. O festival segue com seus compromissos, enquanto a comunidade cinematográfica observa os desdobramentos com cautela.
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