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Dirigentes do Festival de Berlim reúnem-se para discutir tensões envolvendo Gaza

Reunião de emergência pode definir o futuro da Berlinale após controvérsias com discursos pró-Palestina e possível demissão da diretora norte-americana

Syrian-Palestinian director Abdallah Al-Khatib criticised the German government in his acceptance speech.
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  • A Berlinale realizará uma reunião emergencial para discutir o futuro da mostra após conflitos envolvendo o Gaza e discursos pró-Palestina no gala de encerramento.
  • A imprensa informou que a diretora norte-americana do festival desde 2024, Tricia Tuttle, poderia ser demitida; a KBB negou a informação, classificando-a como fake news.
  • Discursos críticos ao governo alemão foram proferidos durante a cerimônia, incluindo acusações de que a Alemanha é “parceira do genocídio” em Gaza.
  • A controvérsia ocorre em meio a tensões entre o setor cultural alemão e autoridades políticas, com reações de representantes governamentais e vozes internacionais.
  • O gabinete do comissário federal de cultura e mídia convocou uma reunião extraordinária da diretoria para discutir a direção futura do Berlinale.

A Berlinale viveu mais um capítulo de tensão entre cinema e política nesta semana. A organização do festival, administrada pela empresa estatal Berlin and Brandenburg, convoca uma reunião de emergência para discutir o futuro da edição 2026, diante de crises envolvendo Gaza e possíveis sanções contra a diretora norte-americana Tricia Tuttle.

A reunião foi anunciada pelo gabinete do comissário do governo alemão para cultura e meios de comunicação. Segundo fontes, o encontro de quinta-feira visa definir a linha do festival diante das controvérsias geradas por discursos pró-Palestina no gala de encerramento. A KBB negou, por meio de nota, que haja demissão já anunciada de Tuttle.

A Berlinale costuma adotar postura politicamente engajada, buscando refletir conflitos globais. Contudo, o tema Gaza tensiona o setor cultural alemão, com autoridades financeiras mantendo uma posição pró-Israel. A discussão envolve financiamento público e a autonomia artística do festival.

No sábado, Abdallah Al-Khatib recebeu o Prêmio de Primeiro Filme pela obra Chronicles From the Siege, que retrata uma cidade palestina. Em seu discurso, o cineasta criticou o governo alemão, afirmando que a Alemanha atua como parceira do genocídio em Gaza. A fala provocou reação entre autoridades e diplomatas europeus.

Outra vencedora, Marie-Rose Osta, diretora libanesa, ganhou o Golden Bear de melhor curta com Someday a Child. Em seu discurso, ela destacou que crianças em Gaza e no Líbano enfrentam consequências de conflitos e pediu respeito ao direito humanitário. A cerimônia ocorreu em Berlim.

A ministra alemã do Meio Ambiente, Carsten Schneider, ter recebido críticas ao deixar o auditório durante a fala de Al-Khatib; depois, em nota pública, disse não considerar aceitáveis as acusações feitas pelo cineasta. Representantes de Israel também condenaram as declarações.

Segundo a Bild, Wolfram Weimer, comissário federal para cultura e mídia, avaliou que seria necessário afastar Tuttle após as falas, além de uma foto tirada dias antes em que a diretora aparece com membros da equipe de Chronicles From the Siege, alguns com keffiyehs e uma bandeira palestina.

Tuttle, que comandou o festival BFI de Londres entre 2018 e 2022, assumiu a Berlinale em 2024. Ela não respondeu a pedidos de comentário na quarta-feira. A assessoria de Weimer confirmou a realização da reunião extraordinária da diretoria supervisora da KBB na quinta-feira, a pedido do comissário, para discutir o rumo do Berlinale. A nota destacou que a reunião tratará do futuro do festival.

Atuação do festival no início da edição provocou críticas de ativistas por não ter posição clara sobre o conflito em Gaza. O presidente do júri, Wim Wenders, havia defendido que artistas não precisam adotar posição política formal, o que gerou reação de algumas vozes do setor cultural.

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