- A Film and TV charity lançou um conjunto de nove princípios para proteção da saúde mental na indústria britânica, resultado de parceria com mais de 45 organizações, incluindo broadcasters, estúdios, streaming e sindicatos.
- A iniciativa surge após a pesquisa Looking Glass indicar que 35% dos trabalhadores da film/TV descrevem a saúde mental como ruim ou muito ruim; 30% relataram pensamentos suicidas nos últimos 12 meses.
- Outros dados apontam que 63% disseram que o trabalho impacta negativamente a saúde mental e 64% consideraram deixar a indústria por motivos relacionados à saúde mental.
- Os princípios visam integrar o cuidado à saúde mental de forma prática nas produções, abordando cultura de bem‑estar, relações respeitosas entre equipes, impactos de conteúdos sensíveis e gestão de carga de trabalho.
- A implementação pode variar: pode haver adoção voluntária, ou integração mais formal em requisitos de contratação, com referências a leis vigentes e padrões como ISO 45003 já existentes no setor.
O Film and TV charity lançou um conjunto de nove princípios destinados a proteger a saúde mental na indústria de cinema e televisão do Reino Unido. O anúncio é descrito como um marco para a responsabilidade do setor com a comunidade de produção.
A iniciativa resulta de uma colaboração entre a instituição e mais de 45 organizações do ramo, incluindo emissoras públicas, estúdios, plataformas de streaming, produtoras e sindicatos. O objetivo é virar a página de um cenário de alto estresse.
A divulgação chega após a Looking Glass survey, que indicou aumento de problemas de saúde mental no setor. 35% dos respondentes classificaram a saúde mental como ruim ou muito ruim.
Contexto e números-chave
Cerca de 30% disseram ter pensado em suicídio no último ano. Além disso, 63% relataram efeito negativo do trabalho em sua saúde mental e 64% consideraram deixar a indústria por questões relacionadas ao bem-estar.
As diretrizes estabelecem ações centrais para que a saúde mental seja integrada de forma positiva e regular nas produções. Entre elas, promover bem-estar, relações inclusivas e manejo de conteúdos sensíveis.
Os princípios ressaltam ainda a necessidade de planejar riscos de estresse desde a fase de planejamento, antever conteúdos emocionalmente desafiadores e criar procedimentos para reportar assédio ou comportamentos inadequados.
Implementação e contexto normativo
Embora não sejam regulamentações, as diretrizes se apoiam em deveres legais e em boas práticas existentes. A implementação varia conforme os parceiros, com adoção voluntária ou integração a contratos de produção.
Marco normativo relevantes incluem a lei de saúde e segurança do Reino Unido e padrões ISO 45003. No setor, já havia normas de conduta de organizações como a Creative Industries Independent Standards Authority.
A liderança do setor destaca a importância de um framework unificado. Produções, freelancers e equipes de apoio devem adaptar as práticas para ambientes de trabalho ágeis e sob alta pressão.
Reações de líderes da indústria
O CEO Marcus Ryder aponta que o movimento representa o maior esforço setorial em décadas para tratar a saúde mental. Ele enfatiza que o problema não é de resiliência individual, mas de condições de trabalho sistêmicas.
A presidente da Bafta, Sara Putt, ressalta que instabilidade de trabalhos freelancers e acesso a treinamento impactam a saúde mental. O objetivo é reter talentos e melhorar o bem-estar da força de trabalho.
A chefe de conteúdo da BBC, Kate Phillips, considera o marco como um potencial ponto de virada. Ela incentiva equipes internas e fornecedoras a adotar os princípios para fortalecer e tornar a indústria mais sustentável.
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