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Percussionista Michelle Abu lança 2º álbum e reforça presença do tambor

Percussionista Michelle Abu lança o 2º álbum, mesclando ritmos tradicionais com sonoridade contemporânea e reforçando que não existe música brasileira sem tambor

Novo disco de Michelle Abu trabalho autoral que reafirma a percussão como centro de gravidade da música brasileira (Foto: Gal Oppido)
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  • Percussionista Michelle Abu lança o segundo álbum, Qual É o Tambor, após cerca de trinta anos de carreira.
  • O disco tem participações de Karol Conká, Otto, Catto, Lirinha, Paulinho Santos (ex-Uakti) e do coral Os Guaranis; Michelle canta, toca bateria e percussão, costurando ritmos tradicionais com uma sonoridade contemporânea.
  • As músicas nasceram de grooves percussivos estudados durante a pandemia, incorporando carimbó, pagodão baiano, baião, música indígena e toques afro-religiosos.
  • Experiências recentes em Sairé, Alter do Chão, no Pará, e no Bembé do Mercado, em Santo Amaro, Bahia, alimentaram a criação e reforçaram a ideia de que não existe música brasileira sem tambor.
  • Michelle Rodrigo Abu ressalta o machismo na música e a importância de mulheres ocuparem espaços como instrumentistas, não apenas como cantoras.

Michelle Abu, percussionista formada na cena afro-baiana de Salvador, lança seu segundo álbum, Qual É o Tambor. Com 30 anos de carreira, a artista apresenta uma produção autoral que aproxima a percussão de uma sonoridade contemporânea.

O disco reúne participações de Karol Conká, Otto, Catto, Lirinha, Paulinho Santos e do coral indígena Os Guaranis. Nas faixas, Michelle canta, toca bateria e percussão, costurando ritmos tradicionais a uma linguagem atual.

As músicas nasceram de grooves percussivos estudados durante a pandemia, que dialogam com carimbó, pagodão baiano, baião e elementos da música indígena e de rituais afro-religiosos.

Trajetória e referências

A artista destaca a importância de vivenciar manifestações culturais para além da escuta de discos, buscando sentir cheiros, sons e a atmosfera dos eventos. Esse repertório experimental é parte de sua abordagem de pesquisa sonora.

Experiências recentes contribuíram para a construção do álbum, como o Sairé, em Alter do Chão, no Pará, onde atuou ao lado de mestres do carimbó, e o Bembé do Mercado, em Santo Amaro, Bahia, celebração afro-brasileira que inspira suas composições.

Da relação entre festa, rito e rua nasce a convicção central do projeto: não existe música brasileira sem tambor, eixo que guia a sonoridade do álbum.

Desafios e protagonismo feminino

Ao longo da carreira, Michelle já dividiu o palco com Ira!, Arnaldo Antunes, Elza Soares, Maria Alcina, Paulo Miklos e Margareth Menezes, entre outros nomes. A experiência revelam o machismo persistente na cena musical.

Ela aponta que ainda há resistência para mulheres que tocam instrumentos tipicamente associados aos homens, relatando situações em que é confundida com vocalista. A solução passa pela afirmação de identidade e pela ampliação de espaços.

A percussionista enfatiza a importância de manter a presença feminina na música e de continuar abrindo caminho para novas gerações.

Fonte: entrevista publicada pela CartaCapital.

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