- Mais de um quarto dos músicos britânicos perderam todo o trabalho na UE desde 2021.
- Quase metade teve o trabalho na UE reduzido desde 2021, e 59% dizem que tournée na Europa não é viável.
- Ganhos médios com turnês caíram 45%, com impactos significativos na mobilidade e na colaboração entre UK e UE.
- Barreiras de visto, regras de Schengen e custos de procedimentos (como ATA carnets) tornam turnês internacionais mais onerosas.
- A ausência de financiamento criativo europeu e custos adicionais afetam especialmente produtores independentes e pequenas empresas do setor.
O que aconteceu: estudo da European Movement UK aponta que mais de um quarto de músicos britânicos perdeu todo o trabalho na UE desde 2021, e quase metade viu sua atuação na região reduzir significativamente. A pesquisa também mostra queda de 45% na renda média de turnês, com 59% afirmando que viajar para a Europa não é mais viável economicamente.
Quem está envolvido: músicos britânicos, o setor criativo do Reino Unido e, no radar institucional, a indústria musical representada pela UK Music. O relatório conta com contribuições de produtores, casas de show e gestores culturais, além de apontar impactos em artistas independentes e pequenas empresas.
Quando e onde: o estudo foi divulgado pela European Movement UK, instituição que defende estreitar as relações entre Reino Unido e União Europeia. Os dados referem-se ao período pós-Brexit, com foco a partir de 2021, cobrindo a atividade de turnês na UE e impactos no território britânico.
Por quê: as restrições de mobilidade, novos regimes de visto, regras de Schengen e custos adicionais elevaram as barreiras para artistas britânicos atuarem na UE, ao mesmo tempo em que afetam artistas europeus no Reino Unido. O relatório destaca que a combinação de regras de mobilidade e custos logísticos compromete planejamento de turnês e parcerias criativas.
Principais impactos e custos
A pesquisa alerta para custos diretos que afetam turnês. Carnês ATA temporários podem superar £400, com cauções de até 40% do valor do equipamento. Orquestras chegam a gastar entre £2.000 e £5.000 por turnê na UE. Cabotagem e restrições de paradas elevam despesas para produtores, artistas emergentes e espaços culturais.
O estudo aponta ainda a perda de financiamento europeu. Entre 2014 e 2020, o programa Creative Europe investiu €111 milhões em 376 organizações do Reino Unido, beneficiando pesquisa, co-produções, feiras e redes europeias. A ausência desse suporte é destacada como impacto relevante para produtores independentes e pequenas empresas.
O relatório enfatiza que, além dos custos, barreiras administrativas reduzem oportunidades de colaboração entre artistas britânicos e europeus. Também aponta que artistas e profissionais da UE enfrentam obstáculos para atuar no Reino Unido, dificultando o fluxo de talentos em ambas as direções.
Dados setoriais
A música sozinha respondeu por £8 bilhões em 2024, com quase £5 bilhões em exportações. O setor de artes cênicas teve participação superior a £11 bilhões nesse mesmo período. O documento sustenta que, sem avanços na mobilidade, o Reino Unido corre o risco de enfraquecer ainda mais uma área central à economia criativa, à geração de empregos e à presença cultural internacional.
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