- Julieta Venegas lança o álbum norteño e trabalha em uma memória publicada, revisitando suas raízes mexicanas e um som mais raiz.
- O projeto inclui a participação de Natalia Lafourcade na faixa “Tengo Que Contarte”, destacando a influência mútua entre as artistas.
- A faixa “La Línea” conta com Yahritza, abordando migração e a dor da separação familiar, tema ligado à experiência de Yahritza y Su Esencia com visto de permanência.
- Venegas revela que viveu oito anos na Argentina e que a distância estimulou reflexões sobre o being entre Tijuana e o México, iniciando o processo do álbum após o momento com “Tiempos Dorados” (El David Aguilar).
- Ela também cita encontros recentes com Bad Bunny e participação em shows no México, reforçando o papel de artistas latinos na abertura de portas na indústria.
Julieta Venegas está reconstituindo suas raízes e, ao mesmo tempo, lançando o projeto mais ambicioso de sua carreira: o álbum Norteña, acompanhado de um memoir. A artista mexicana reflete sobre sua trajetória, influências e a construção de uma identidade musical que mescla roots, pop e múltiplos instrumentos.
Ao longo da entrevista, Venegas relembra a chegada ao cenário musical latino, marcado pela escassez de mulheres em uma indústria dominada pelo masculino. Ela destaca o uso do acordeão como porta de entrada para seu som, que integra 17 instrumentos, com o piano entre as formações centrais. O tom é de curiosidade e afirmação de que seguir a intuição guiou sua carreira.
O disco Norteña abre-se para colaborações significativas. Na faixa Tengo Que Contarte, a participação de Natalia Lafourcade é elogiada pela maturidade vocal da convidada. A cantora veracruzana ressalta a proximidade geográfica e cultural entre as artistas, que levaram para o estúdio uma sensibilidade regional, com Lafourcade registrando a produção de forma paralela ao período de gravidez.
Um tema central do álbum é a migração, pensado a partir da própria experiência de Venegas com a distância da Argentina, onde viveu por oito anos. O conceito nasceu durante a composição de Tiempos Dorados, parceria com El David Aguilar, que sinalizou o início do projeto. A intenção é oferecer uma abordagem emocional sobre famílias separadas, sem buscar soluções fáceis para o problema.
A faixa La Linea traz Yahritza y Su Esencia, do estado de Washington, em uma leitura que aborda a realidade de fluxos migratórios. A participação surgiu de uma conexão com temas de fronteira; a letra enfatiza a dor e o peso emocional de estar longe de entes queridos, sem tratar de uma resposta simplista para a questão.
Perspectivas e influências
Venegas comenta sobre a recepção de Yahritza frente a críticas recebidas pelo grupo, defendendo a importância de reconhecer a expressão artística sem desmerecer quem está nas ruas. A artista também cita Milo J, Akriila e outras novas referências da região, reforçando a continuidade de uma trajetória que dialoga com novas vozes.
Em momentos recentes, Venegas participou de apresentações com Bad Bunny durante a turnê DeBÍ TiRAR MáS Fotos, em shows no México. Ela descreve a experiência como generosa e reveladora, afirmando que a presença de artistas de peso abre portas para músicos latino-americanos maiores.
Mesmo diante de parcerias de peso e da visão de futuro, Venegas não se coloca fora do eixo independente. Ela enxerga o projeto Norteña como uma evolução natural da sua expressão musical e afirma que a qualquer pessoa pode inspirar-se em seguir o próprio caminho, caso essa seja a sua verdade.
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