- A Rolls de quase mil documentos do Departamento de Justiça revelam que a relação entre Tommy Mottola, ex-chefão da Sony Music, e Jeffrey Epstein era mais próxima do que se havia divulgado, indo além de simples contatos.
- Mottola enviou contatos de Epstein para a empresa de investigação Nardello & Co. e ajudou a conectar os dois, mesmo sem saber o motivo de Epstein ter buscado esse serviço.
- Entre 2004 e 2019, houve uma troca constante de telefonemas e e-mails entre eles, com Mottola pedindo conselhos e Epstein sugerindo encontros, festas e oportunidades de negócios.
- Os advogados de Mottola dizem que ele não cometeu crime algum, que era apenas um conhecido de Epstein e que não há indícios de envolvimento em crimes de Epstein.
- Em dezembro de 2017, houve um incidente em um hotel na Flórida envolvendo o spa; Epstein usou o episódio para se aproximar de Mottola, que, segundo os advogados, buscava entender possíveis repercussões reputacionais, e os dois continuaram trocando mensagens sobre reformas e negócios até 2019.
O material divulgado nos arquivos do caso Epstein amplia o retrato da relação entre Tommy Mottola, ex-CEO da Sony Music, e Jeffrey Epstein, o financista condenado por tráfico de pessoas. Documentos oficiais e milhares de mensagens mostram interações que vão além de um simples vínculo profissional.
Segundo os documentos, Epstein pedia orientação e contatos a Mottola e chegou a pedir sugestões de contatos para facilitar possíveis negócios. Em junho de 2019, Mottola encaminhou informações sobre uma firma de investigações privadas, sem esclarecer o motivo. O empresário afirmou não ter conhecimento sobre as atividades de Epstein.
As comunicações indicam que a relação entre eles perdurou por anos, com intercâmbio de telefonemas, mensagens e encontros até a apreensão final de Epstein em 2019. A correspondência também traz referências a interesses comuns, como oportunidades de negócios na indústria do entretenimento.
A investigação cita que Mottola foi informado sobre a possibilidade de investimentos e parcerias, envolvendo nomes próximos ao círculo de Epstein. Em contrapartida, Mottola afirma que nunca teve participação em atos ilícitos e que nunca encontrou Epstein em locais associadas a crimes.
Representantes legais de Mottola destacam que o empresário era apenas um conhecido de Epstein e que não houve envolvimento em atividades criminosas. Eles afirmam que não existem registros ou e-mails que indiquem conhecimento de Epstein sobre crimes contra vítimas.
Entre 2009 e 2016, registros indicam encontros ocasionais entre os dois, com agendas de reuniões pontuais. A defesa ressalta que os encontros devem ser entendidos como situações de networking entre indivíduos de alto nível, sem evidências de visitas frequentes ou cooperação criminosa.
O material também aponta que Mottola recebeu contatos de Epstein relacionados a projetos em Hollywood, além de convites para eventos e visitas a propriedades. Em alguns trechos, porém, os textos mostram apenas trocas de informações e solicitações de assessoria, não de participação direta em crimes.
Historicamente, Mottola foi figura central no mercado musical desde os anos 80, com passagens por grandes artistas e lideranças da indústria. Sua carreira é marcada por reconhecimentos e controvérsias, sem registro de envolvimento em atividades ilegais ligadas a Epstein.
Ao longo de 2019, época de prisão de Epstein, os registros apontam que Mottola continuou a manter contato com o financista. No entanto, as defesas reforçam que não houve conduta criminosa associada ao music executive e que os documentos não comprovam participação em delitos.
O material utilizado pela reportagem reúne documentos judiciais, relatórios do FBI e comunicações entre Epstein, Mottola e terceiros. As fontes destacam que, apesar das interações, não há indicação de que Mottola tenha participado de atividades criminosas atribuídas a Epstein.
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