- Ye lança Bully, a 12ª ópera-prima de estúdio, com potencial de reset na carreira e sonoridades alinhadas a seus maiores sucessos anteriores.
- O álbum traz melodias “grandes” e ganchos polidos, mas é visto como menos substancial e, em conjunto, com sensação de falta de propósito.
- Bully sucede o álbum Vultures, que desfilou polêmicas públicas de Ye e dificuldades para ficar disponível em plataformas de streaming.
- Houve rumores de uso de inteligência artificial na produção, que o próprio Ye negou.
- Faixas destacadas incluem King, Father com Travis Scott, All the Love e Circles, que contam com colaborações e continuidade do estilo soul-sampling.
O rapper Ye, conhecido como Kanye West, lançou o 12º álbum de estúdio intitulado Bully. O projeto chega após o polarizante Vultures, que ficou conhecido pela dificuldade de acesso nas plataformas de streaming e por polêmicas envolvendo o artista. Bully segue uma linha que mescla samples de soul com sonoridades modernas, buscando recuperar parte do público após anos de controvérsias.
O disco traz faixas que destacam o uso de melodias marcantes em estádio e ganchos bem produzidos, embora a entrega pareça menos coesa do que em trabalhos anteriores. Entre os pontos de maior destaque, aparecem faixas que evocam o período Yeezus e a fase Life of Pablo, com momentos de maior melancolia e de explosões sonoras.
King abre o álbum e é apontada como faixa de destaque, com sonoridade que remete a épocas passadas do artista. Em This a Must, o ritmo é mais contido, com uma linha de trap que não entrega impacto suficiente em letra. Father, com Travis Scott, recebe elogios pela química entre os dois artistas.
All the Love é citada como uma das performances mais melodicamente fortes de Bully, situando-se entre a melancolia de 808s e a extravagância de Life of Pablo. Outras faixas, como Punch Drunk, Whatever Works e I Can’t Wait, utilizam o espírito de samples de soul que marcaram o início da carreira de Ye.
Circles conta com a participação de Don Toliver e é apontada como tentativa clara de criar um hit radiofônico, reforçando o uso de elementos que definiram o repertório do rapper ao longo dos anos. Em demos vazadas no ano passado, nomes como Bully e Preacher Man já haviam sido citados como singles potenciais.
A divulgação trouxe rumores de uso de inteligência artificial na construção do álbum. Ye negou, afirmando publicamente que não utilizou IA na produção de Bully. Mesmo com esse esclarecimento, a repercussão sobre o processo criativo persiste entre fãs e comentaristas.
O conjunto de faixas é visto por parte da crítica como a melhor parte sonora de Ye em anos, mas a impressão geral aponta para uma obra que, apesar de polida, transmite menos substância do que o esperado. O álbum é considerado o mais humano entre os lançamentos recentes do artista, ao menos na percepção da crítica, ao mostrar uma evolução que não evita falhas.
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