- Relatório da UK Music mostra que a música negra respondeu por 80% da receita da indústria musical do Reino Unido nos últimos 30 anos, somando £ 24,5 bilhões de £ 30 bilhões.
- Ainda assim, apenas 22% da força de trabalho sênior na indústria se identifica como Preto, Asiático ou de etnia/minoria; comparação com 46% da população de Londres.
- Estudo de 2021 aponta gap salarial racial na indústria, com profissionais negros ganhando menos em média do que pares brancos.
- Em junho de 2025, o governo anunciou investimento de até £ 30 milhões no pacote de crescimento da música; líderes cobraram redirecionar parte do recurso para inovação associada à música negra.
- Especialistas destacam barreiras para negros alcançarem cargos executivos, ressaltando a importância de políticas, educação musical e apoio a estúdios e arquivos para sustentar a influência da música negra.
O setor musical do Reino Unido precisa expandir a participação de talentosas pessoas negras em cargos executivos. Um relatório recente aponta que 80% da receita gerada pela música britânica nos últimos 30 anos veio de expressões negras.
O estudo, produzido pela UK Music, revela que 24,5 bilhões de libras dessa soma foram oriundos de música negra, em um total de 30 bilhões. Ainda assim, pessoas negras ocupam poucos cargos de liderança na indústria.
O levantamento também traz dados sobre diversidade. A presença de pretos, asiáticos e pessoas de minorias étnicas atinge 22% entre profissionais seniores, frente a 46% da população de Londres. Há ainda um histórico de desigualdade salarial.
Investimento público e estratégia
Em junho de 2025, o governo anunciou um pacote de até 30 milhões de libras para a indústria musical, em busca de crescimento. A dirigente de diversidade da UK Music, Eunice Obianagha, afirma que parte dos recursos deveria sustentar a inovação ligada à música negra, incluindo estúdios e acervos.
Charisse Beaumont, da Black Lives in Music, destaca que o relatório valoriza organizações menores e aponta barreiras na progressão de carreira para profissionais negros. Ela aponta a necessidade de mudanças na hierarquia de gestão da indústria.
Zeon Richards, diretor da Renowned Group, observa que muitos profissionais negros saíram do negócio por falta de vagas. Ele ressalta que alcançar posições elevadas favorece a compreensão de talento, cultura e nuances do setor.
Jasmine Dotiwala, ex-apresentadora da MTV News, informa que disparidades são perceptíveis há anos e que líderes negros são frequentemente subestimados. Ela afirma que, quando favorecidos, trazem parceria natural com talentos e audiência.
O que envolve o estudo e as métricas
O relatório classifica como música negra obras enraizadas na cultura e tradição da diáspora africana, incluindo estilos diversos que surgiram no Brasil, Reino Unido e além. Entre 138 subgêneros, constam até influências de techno e house.
A análise utilizou dados da British Phonographic Industry (BPI) e do Chartmetric para medir vendas de música gravada no Reino Unido. A avaliação traz números sobre gravadoras britânicas e artistas internacionais.
Segundo Mykaell Riley, professor de música negra na Westminster University, a pesquisa evidencia que a voz da música negra está presente no currículo escolar. Ele defende mais apoio à educação musical para ampliar a compreensão pública sobre o tema.
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