- Cidades em situação fiscal ruim gastaram ao menos R$ 2,1 bilhões com contratação de shows entre 2024 e 2025, com grande variação de cachês entre os artistas.
- Governo de Santa Bárbara do Tugúrio (MG) ressalta regularidade dos atos administrativos, explica que ações judiciais são de 2022 e destaca a Festa da Banana como tradição cultural com impacto econômico.
- Governo de Roraima afirma que as contratações de Natanzinho Lima e Leonardo foram feitas com emenda parlamentar federal, via Ministério do Turismo, no modelo de show colocado que engloba cachê e custos logísticos.
- A Secretaria de Cultura e Turismo de Roraima detalha que o show colocado inclui transporte, hospedagem, alimentação e demais custos, destacando a logística complexa do estado.
- A contratação do artista Pablo para a Expoferr, também em Roraima, ocorreu por inexigibilidade de licitação; valor e modelo são apresentados como compatíveis com eventos de porte semelhante e com custos logísticos do estado.
O levantamento com dados de 2024 e 2025 aponta gasto de ao menos R$ 2,1 bilhões com contratação de shows por cidades em situação fiscal crítica. A reportagem também evidencia variações de cachês entre os mesmos artistas.
O UOL entrou em contato com os governos citados. Quijingue (BA) e Maceió (AL) não se manifestaram. Abaixo, as respostas integrais enviadas por alguns gestores.
Santa Bárbara do Tugúrio (MG)
A prefeitura informou que a ação judicial mencionada existe desde 2022 e trata de questionamentos sobre contratação artística. O município afirma que os atos administrativos foram regularizados e aguardam a elucidação dos fatos pelo Judiciário.
Sobre cancelamentos de apresentações, a prefeitura disse que ocorreram em cumprimento a entendimentos do Ministério Público e do Poder Judiciário, observados no devido processo institucional.
Quanto às contratações, a gestão enfatiza que eventos culturais fazem parte da identidade local, especialmente a Festa da Banana, e que promovem impacto econômico e social, com participação de patrocinadores.
A prefeitura sustenta que os projetos culturais seguem procedimentos legais e administrativos, com transparência e responsabilidade fiscal, mantendo equilíbrio financeiro e nota Capag A junto ao Tesouro Nacional.
Relatos de investimentos públicos recentes incluem educação, saúde, transporte, renovação de maquinário e obras de infraestrutura, com avanços no setor habitacional. Eventos culturais, segundo o município, fortalecem a cultura e a economia local.
O município reitera compromisso com transparência, legalidade e boa gestão de recursos, permanecendo à disposição para esclarecimentos adicionais.
Governo de Roraima
A Secult afirma que as contratações de Natanzinho Lima e Leonardo ocorreram com recursos de emenda parlamentar federal, operacionalizados pelo MTur, respeitando diretrizes do órgão.
Os valores abrangem o modelo de contratação denominado ‘show colocado’, incluindo cachê e custos logísticos como transporte, hospedagem e alimentação da equipe.
A pasta destaca as peculiaridades logísticas de Roraima, com menor oferta de voos e grandes deslocamentos, o que impacta os custos de produção.
Diz ainda que os valores variam conforme período, disponibilidade do artista e estrutura do evento, influenciando o preço final.
A Secult assegura que as contratações seguiram trâmites legais, com transparência e observância das normas, especialmente por envolver recursos federais vinculados a emendas parlamentares.
A Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação aponta que a contratação do artista Pablo para a Expoferr seguiu inexigibilidade de licitação, com valor compatível aos preços de eventos semelhantes.
O modelo de contratação foi o ‘show colocado’, englobando cachê e todas as despesas operacionais, incluindo logística da banda, equipamentos, hospedagem e alimentação, assegurando a viabilidade da atração cultural.
O governo sustenta que o gasto reflete a complexidade de trazer estrutura de nível nacional ao estado, promovendo cultura e suporte ao agronegócio roraimense.
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