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Pussy Riot critica retorno da Rússia à Bienal de Veneza

Retorno da Rússia à Bienal de Veneza provoca reação de dissidentes e artistas ucranianos, enquanto organizadores defendem diálogo cultural e abertura

The Russian Pavilion in Venice, built in 1914
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  • A Rússia fará sua primeira participação na Bienal de Veneza desde a invasão à Ucrânia, com um projeto que celebra folklore e música mundial.
  • O programa prevê um festival de três dias, de 5 a 8 de maio, antes da abertura oficial, com a apresentação filmada no pavilhão.
  • O título “A árvore tem raízes no céu” é inspirado na obra da filósofa Simone Weil e envolve filósofos na curadoria.
  • O retorno gerou críticas de dissidentes russos e de artistas ucranianos, incluindo o grupo Pussy Riot, que consideraram a participação um golpe à segurança da Europa.
  • A organização da Bienal defende a participação, afirmando que qualquer país reconhecido pela Itália pode participar e destacando o compromisso com o diálogo cultural e a liberdade artística.

O Pavilhão Russo voltará à Bienal de Veneza pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia em 2022. A participação inclui folclore russo e música mundial, conforme a lista de participantes de 99 países publicada pelo evento.

O projeto é apresentado como uma “polifonia multilíngue” de culturas que não se veem como periféricas ao Ocidente, segundo o enviado cultural de Putin, Mikhail Shvydkoy. A participação vem articulada pela comissária Anastasia Karneeva.

A programação prevê um festival de três dias, de 5 a 8 de maio, antes da abertura oficial. O evento será filmado e exibido no pavilhão, com o título The tree is rooted in the sky, inspirado em Simone Weil.

Reação e contexto

Grupos dissidentes criticam a iniciativa. O coletivo Pussy Riot disse que a participação representa um golpe à segurança europeia e citou uso da cultura como ferramenta de poder. A organização afirma que regimes totalitários normalizam o apoio cultural.

A Biennale respondeu que qualquer país reconhecido pela Itália pode participar, desde que tenha pavilão no Giardini, ressaltando o compromisso com diálogo, abertura e liberdade artística.

O debate envolve ainda críticas de especialistas da Ucrânia, que veem a participação como provocação. O pavimento de 1914, desenhado por Alexey Shchusev, tem vínculos históricos controversos e é alvo de leituras divergentes sobre exaltação cultural frente ao conflito moderno.

Diaki Kone, artista sonoro Mali, participará do programa, combinando ritmos africanos com elementos russos. Ele diz que a arte deve favorecer encontros além das tensões políticas, mantendo o foco na troca cultural.

Entre os inscritos, destacam-se formações de música folclórica associadas à televisão estatal. O festival inclui artistas que sinalizam apoio a causas nacionais, reforçando tensões entre cultura e política internacional.

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