- Colaboração entre o MIT e o Museum of Fine Arts, Boston (MFA) utiliza tomografia computadorizada, caracterização química e produção de réplicas tocáveis e sonoras de instrumentos históricos.
- A equipe envolve o Centro de Pesquisa de Materiais em Arqueologia e Etnologia (CMRAE) e a Escola de Humanidades, Artes e Ciências Sociais (SHASS) do MIT, com apoio de Jared Katz, curador de instrumentos musicais do MFA.
- Técnicas incluem scanner CT da Lumafield, testes de vibração não destrutivos e simulações para reproduzir fielmente o som dos instrumentos, como violinos, por meio de medições de resposta acústica.
- Réplicas físicas são criadas a partir de moldes de gesso, usando cópias impressas em 3D e, para instrumentos de madeira, madeira de origem antiga contratada com luthiers locais; houve demonstração em evento da MIT em novembro.
- Até o momento, o grupo já escaneou cerca de trinta instrumentos da coleção do MFA, com meta de alcançar cem instrumentos ao longo do projeto para documentar e facilitar estudos futuros.
A parceria entre o MIT e o Museum of Fine Arts, de Boston, avança na produção de réplicas funcionais de instrumentos musicais históricos. O objetivo é criar cópias físicas e digitais que possam ser tocadas e ouvidas, com precisão sonora. A iniciativa envolve o CMRAE e SHASS do MIT e o MFA de Boston.
O projeto foi articulado no fim de 2024, quando o pesquisador sênior do MIT, Benjamin Sabatini, procurou Eran Egozy para discutir a viabilidade. A ideia ganhou apoio do MIT Human Insight Collaborative (MITHIC) e contou com a participação de Mark Rau, novo professor de tecnologia musical e engenharia elétrica, e de Jared Katz, curador de instrumentos musicais no MFA.
Katz já é especialista em práticas musicais antigas e desenvolveu técnicas de escaneamento 3D para criar réplicas utilizáveis. O MFA abriga uma coleção de instrumentos que começou em 1917 e hoje soma cerca de 1.450 itens vindos de seis continentes, com peças datadas de 1550 BCE.
Metodologia
Rau e Sabatini, com o suporte de Katz, reúnem uma equipe de cinco pessoas para escaneamento e avaliação acústica. O processo utiliza o Tomógrafo CT da Lumafield para medir dimensões internas e externas, aliado a testes de vibração não destrutivos e simulações numéricas.
A partir dos dados, são geradas réplicas digitais sonoras com alta fidelidade. Em testes com violino, por exemplo, utiliza-se uma tiny hammer com transdutor para induzir uma força conhecida e medir vibrações com vibrometria a laser.
A produção física começa com cópias impressas em 3D, que dão origem a moldes de gesso usados em processos de moldagem com escória cerâmica, como no caso do apito Paracas, artefato peruano de 600-175 a.C.
Progresso e próximos passos
As réplicas já foram apresentadas de forma funcional em evento anual da MITHIC, em novembro. A equipe também pretende ampliar a construção de instrumentos de madeira com madeira antiga, em parceria com luthiers locais.
Até aqui, foram escaneados aproximadamente 30 instrumentos da coleção do MFA, com meta de alcançar pelo menos 100 itens no decorrer do projeto. Os dados ajudam a reconstruir formas físicas e sonoras com uso de software.
Sabatini vê o estudo sob uma perspectiva humanística, destacando a importância de entender culturas por meio dos materiais e dos sons. O objetivo é preservar o instrumento original sem perder a experiência de ouvi-lo como foi concebido.
Perspectivas de longo prazo
Katz ressalta que os instrumentos são belos de observar, mas devem ser ouvidos. O projeto busca protegê-los fisicamente enquanto permitem que o público tenha acesso à experiência pretendida. A colaboração entre instituições visa ampliar o conhecimento sobre a prática musical antiga, combinando ciência de materiais, arqueologia e museologia.
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