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Mulheres na música avançam, mas ganham apenas 10% dos direitos no Brasil

Cadastros de mulheres na música sobem em 2025 (54 mil, 20% novos), mas apenas 10% dos direitos autorais vão a elas e 2% dos top 100 autores são mulheres

Isabel Amorim, superintendente executiva do Ecad, que produz o relatório "Mulheres na Música" há seis anos
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  • Em 2025, mais de 54 mil mulheres cadastraram obras no Ecad, quase cinco vezes mais que em 2024 (12 mil).
  • O total de novos cadastros representou cerca de 20% do ano, incluindo compositoras, intérpretes, produtoras fonográficas e musicistas acompanhantes.
  • Os rendimentos femininos cresceram 33% em relação a 2024, mas mulheres ainda correspondem a 10% dos beneficiados com direitos autorais distribuídos a pessoas físicas.
  • Do total superior a R$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 100 milhões foram destinados a mulheres.
  • Entre os 100 autores com maior rendimento em 2025, apenas duas por cento são mulheres; entre as 100 canções mais executadas, onze tiveram participação feminina e, entre as vinte primeiras, apenas uma teve autoria feminina.

O Ecad, órgão responsável pela gestão coletiva de direitos autorais da música brasileira, aponta avanços expressivos de mulheres no cadastro de obras em 2025, porém a desigualdade de gênero persiste no topo dos rendimentos. O levantamento, na sexta edição do relatório Mulheres na Música, mostra crescimento relevante no registro de compositoras, intérpretes, produtoras fonográficas e musicistas acompanhantes.

Mais de 54 mil mulheres cadastraram suas obras em 2025, ante 12 mil no ano anterior. Esse salto representa cerca de 20% de todos os novos cadastros do período. O incremento envolve participantes de diversas funções dentro da cadeia musical, conforme aponta o Ecad.

Apesar do avanço no cadastro, os ganhos concentrados nas mãos de mulheres permanecem baixos. Os rendimentos gerados pelo uso de músicas em rádio, TV, streaming e eventos subiram 33% em relação a 2024, mas as mulheres representam apenas 10% dos beneficiários de direitos autorais distribuídos a pessoas físicas no Brasil. Do total arrecadado, acima de R$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 100 milhões foram destinados a mulheres.

Desigualdade no topo da pirâmide

Entre os 100 autores com maior rendimento em 2025, apenas 2% são mulheres, menor que em 2023 (6%) e 2024 (5%). A diferença é associada, em parte, ao peso do mercado de shows e festivais, ainda dominado por profissionais do sexo masculino. Entre as 100 canções mais executadas em shows no ano, apenas 11 tiveram participação feminina na autoria; entre as 20 primeiras, apenas uma teve assinatura de mulher.

Como funciona o recebimento de direitos

Para receber direitos, é necessário estar cadastrado em uma das associações que integram a gestão coletiva, hoje formada pelo Ecad e por Abramus, Amar, Assim, Sbacem, Sicam, Socinpro e UBC. A executiva do Ecad destaca que muitas compositoras deixam de receber porque não estão cadastradas, mas reforça: sem cadastro não há distribuição. O registro, porém, não garante retorno financeiro imediato, pois o alcance e a frequência de execução das obras influenciam o repasse.

Futuro e ações para equidade

O Ecad indica que o expressivo crescimento de cadastros em 2025 pode começar a impactar os rendimentos nos próximos anos, especialmente em gêneros com rápida virada comercial. A instituição também aponta iniciativas para ampliar a participação feminina, como programas de incentivo, eventos dedicados e hackathons de compositoras, considerados passos para mudanças estruturais.

Analistas ressaltam que o avanço do cadastro pode pavimentar maior protagonismo feminino na música brasileira, desde que haja continuidade de políticas de inclusão e aumento de oportunidades no mercado de shows, produção e gestão. As ações atuais são vistas como etapas de um processo mais amplo de transformação do setor.

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