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The Doors e a descoberta de novos estados de consciência

The Doors uniram psicodelia e ritual sonoro para expandir a consciência, conduzindo o público a travessias entre êxtase e sombra

The Doors e a descoberta de novos estados de consciência
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  • A banda nasceu em Venice Beach, Califórnia, no contexto de uma cultura psicodélica que misturava música, poesia e contestação social.
  • O nome The Doors vem de The Doors of Perception de Aldous Huxley, inspirando uma filosofia de expansão da consciência.
  • A arquitetura sonora do grupo — bateria marcial, guitarra fluida e órgão litúrgico —, com Jim Morrison à frente, criou uma experiência musical rítmica e poética.
  • O álbum de estreia, The Doors (1967), abriu passagem para canções como Break on Through e The End; seguidos por Strange Days, Waiting for the Sun, The Soft Parade, Morrison Hotel e L. A. Woman, com a faixa Riders on the Storm.
  • Nos palcos, Morrison atuava como um xamã elétrico, conduzindo o público a experiências de êxtase e vertigem, consolidando a identidade ambivalente entre luz e sombra que marca a banda até hoje.

No calçadão de Venice Beach, jovens descalços delimitavam uma nova ideia de liberdade, com guitarras, poemas e panfletos contra a guerra. Desse cenário nasceu The Doors, banda que marcaria o psicodelismo americano sem seguir o padrão solar da Costa Oeste nem a veia underground da Nova York.

A origem do nome remete a Aldous Huxley e a William Blake, associando percepção expandida a uma trajetória musical. O grupo misturava LSD, arte e contestação, buscando atravessar fronteiras entre mente e experiência.

A formação clássica era formada por Jim Morrison, Robby Krieger, Ray Manzarek e John Densmore. A divisão de tarefas combinava voz, guitarra, órgão e bateria, compondo uma linguagem única desde o início.

Origem e assinatura sonora

O conjunto destacou-se pela arquitetura sonora, não apenas pela química. A bateria de Densmore marcava ritmos primitivos, a guitarra de Krieger flertava com o flamenco, e o órgão de Manzarek criava uma liturgia elétrica. Morrison projetava poesia de sonho e mito.

O álbum de estreia, The Doors (1967), abriu o ritual com Break on Through, e The End mergulhou nos abismos da psique. Em Strange Days, a faixa-título refletiu a percepção como espelho líquido, desdobrando a realidade.

Waiting for the Sun trouxe luminosidade ritual, enquanto The Soft Parade expandiu o som em uma procissão barroca. Morrison Hotel conduziu a banda ao blues de estrada e L A Woman fechou o ciclo com Riders on the Storm, mescla de sonho e ameaça.

Nos palcos, os Doors assumiam papéis de Carontes modernos, conduzindo multidões por rios do inconsciente. Morrison, muitas vezes sob efeito de substâncias, improvisava e desfechava a distância entre artista e público.

Legado e recepção contemporânea

A banda não se encaixava no perfil puramente “solar” nem no subterrâneo da vanguarda. Habitava um território próprio entre luz e sombra, onde o êxtase psicodélico se cruzava com inquietação existencial.

Em poucos anos, condensou a essência da psicodelia dos anos 60 em som, imagem e atitude. Mesmo após a morte de Morrison, a obra permanece como convite à travessia sonora e à exploração do limiar entre lucidez e delírio.

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