- O sociólogo Tiaraju Pablo afirma que os enredos das escolas de samba têm marcado uma hegemonia de temas afros e de causas populares, com debates sobre a necessidade ou não de abordar pautas negras.
- Há uma tendência de homenagens a personalidades nas escolas do grupo especial, como Rosa Magalhães no Salgueiro e Carolina Maria de Jesus na Unidos da Tijuca.
- Outros tributos incluem Ney Matogrosso, na Imperatriz Leopoldinense, e Rita Lee, na Mocidade de Padre Miguel, considerados símbolos transgressores.
- Acadêmicos de Niterói apresentam enredo sobre o presidente Lula, apontado como síntese do Brasil dos séculos XX e XXI.
- Em São Paulo, Acadêmicos do Tatuapé privilegiam lutas pela terra e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, enquanto a Gaviões da Fiel foca nas Nações indígenas; outros temas mencionados são Sueli Carneiro, pela Mocidade da Mooca, e Paulo César Pinheiro, pela Estrela do Terceiro Milênio.
Nos últimos anos, as encruzilhadas dos desfiles de samba apontam para uma hegemonia de temas afro e causas populares, segundo o sociólogo Tiaraju Pablo. A avaliação veio em entrevista à CartaCapital.
Pablo, coordenador do Centro de Estudos Periféricos, ligado à Unifesp, analisa o Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo como reflexo das raízes brasileiras e de suas contradições. O pesquisador destaca a importância de preservar a origem das escolas.
Ele observa resistência de críticos que classificam os enredos negros de repetitivos, e reforça a necessidade de manter a essência dos desfiles, sem abrir mão da representatividade. A leitura é de continuidade histórica, segundo o sociólogo.
Enredos de homenagens se fortalecem no Rio
No grupo especial do Rio, sete de 12 escolas trazem homenagens a personalidades. O Salgueiro, por exemplo, enreda Rosa Magalhães, carnavalesa falecida em 2024, entre outras homenagens.
A Unidos da Tijuca aposta em Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, como eixo do seu enredo. Em paralelo, a Imperatriz Leopoldinense homenageia Ney Matogrosso e a Mocidade de Padre Miguel celebra Rita Lee.
Brasil e identidade em foco
Para o pesquisador, esses elementos mostram que o Carnaval mergulha em trajetórias de vida marcantes, com impactos na percepção de identidade nacional e regional. A escolha de personalidades aponta para uma leitura social mais ampla.
Entre as escolas do Rio, o Portela traz um enredo afro-gaúcho centrado num líder religioso, o príncipe Custódio Joaquim de Almeida, destacando a africanidade no Rio Grande do Sul.
São Paulo também se volta a temas sociais
No grupo especial paulista, com 14 academias, a valorização de lutas sociais é evidente. A Acadêmicos do Tatuapé aborda a terra e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, enquanto a Gaviões da Fiel foca povos indígenas.
A publicação ressalta ainda enredos dedicados a Sueli Carneiro, da Mocidade Unida da Mooca, e a homenagem ao compositor Paulo César Pinheiro, na Estrela do Terceiro Milênio, ampliando o mosaico temático do Carnaval.
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