- Protestos em Teerã no fim de dezembro de 2025 levaram a uma queda histórica do rial, inflação e fechamentos públicos, com internet suspensa por uma semana e interrupções ainda persistentes.
- Durante o apagão, músicos e ouvintes trocaram música via pendrives, arquivos entregues a mão e listas de reprodução em cafés, mantendo o contato com obras antigas de artistas iranianos.
- O isolamento afetou estudantes de música, que passaram a buscar inspiração em gravações salvas previamente e a enfrentar dificuldades para manter a prática e a qualidade do estudo.
- Em redes informais, amigos compartilharam arquivos, apresentações clandestinas e encontros musicais, com artistas explorando gêneros novos e protestos expressos de forma segura.
- Em meio à dificuldade de comunicação, a música surgiu como forma de resistência e esperança, conectando pessoas dentro e fora do país.
Durante o desligamento de internet não houve acesso a redes no Irã, após protestos em Teerã no fim de 2025. A interrupção, que durou uma semana, atingiu até 81 milhões de pessoas. Musicos e ouvintes recorreram a arquivos antigos, pen drives e memórias para manter a banda sonora da vida cotidiana.
R.A., estudante de música clásica na capital, encontrou nos encontros em cafés uma forma de manter contato. Os amigos trocavam arquivos fisicamente, de bolso em bolso, buscando manter o repertório que ajudava a enfrentar o isolamento. A sensação era de que a música era a ponte para o passado.
Com a internet fora do ar, o consumo de música se deslocou para redes informais. Grupos de amigos compartilhavam arquivos, playlists de cafés reapareciam e surgiram encontros e shows clandestinos. R.A. afirma que passou a descobrir novos gêneros, como o rock, enquanto procurava uma voz para expressar-se.
Entre perdas e deslocamentos, a experiência de quem vive fora do país também foi afetada. B.R., que está em Viena, retornou ao Irã por três meses e descreve a vida normal interrompida pela ausência de conectividade. A comunicação com familiares tornou-se mais difícil, e até mesmo o planejamento de viagem foi impactado.
Música como resistência
Em cidades e fronteiras, a troca de músicas continuou por meio de mãos, arquivos antigos e memórias. A situação ampliou o papel da música como forma de resistir e manter a esperança, mesmo em condições de censura e pressão.
O cenário no Irã mostra que, mesmo com censuras e interrupções, a expressão musical permanece como um canal para questionar, compartilhar sentimentos e manter a identidade cultural acesa em tempos de crise.
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