- O festival Berlin Atonal ocorrerá em 2024 e já está esgotado.
- O evento coincide com a inclusão da cultura techno de Berlim no registro de patrimônio cultural da UNESCO.
- O co-diretor Laurens von Oswald destaca a interação entre som e espaço como foco do festival.
- O festival enfrenta crescente censura política na Alemanha, especialmente em relação a artistas palestinos.
- O evento segue até 31 de agosto no Kraftwerk, oferecendo uma experiência sonora imersiva.
Berlin Atonal é um festival inovador que desafia as normas tradicionais de festivais e exposições, focando na interação entre som e espaço. Reconhecido como a primeira bienal centrada em música e som, o evento ocorrerá em 2024, coincidente com a inclusão da cultura techno de Berlim no registro de patrimônio cultural da UNESCO. O festival já está esgotado, evidenciando a crescente demanda por experiências que colapsam as categorias de arte, música e performance.
A proposta do festival, segundo o co-diretor Laurens von Oswald, é provocar reflexões sobre as definições fixas de festivais e exposições. Ele destaca que a experiência sonora é criada no próprio espaço, muitas vezes de forma espontânea. O ambiente do Kraftwerk, uma antiga usina, intensifica essa experiência, onde o som se torna uma presença física e imersiva.
O festival também se destaca por sua abordagem híbrida, alternando entre concertos e instalações. Artistas como Anne Imhof e Cyprien Gaillard apresentam obras que desafiam a percepção do tempo e do espaço. Von Oswald afirma que o som é tratado como uma forma de arte legítima, central na experiência do público.
Entretanto, o festival enfrenta um cenário de crescente censura política na Alemanha, especialmente em relação a artistas palestinos. A artista Basma al-Sharif, cuja obra O’Persecuted está na programação, comenta sobre a hostilidade crescente em Berlim após o início do conflito Israel-Hamas. Ela ressalta que a liberdade de expressão, antes um marco da cidade, está sendo ameaçada.
A proposta do Berlin Atonal não é apenas uma reconfiguração da cultura visual, mas uma forma de resistência à categorização rígida. Ao evitar um modelo temático, o festival oferece uma constelação de obras que refletem a complexidade do presente cultural, onde a ambiguidade se torna uma forma de expressão. O evento segue até 31 de agosto no Kraftwerk, prometendo uma experiência única e provocativa.
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