O filme “Sobreviventes”, dirigido por José Barahona, estreia nesta quinta-feira (24) e apresenta uma história em preto e branco sobre náufragos de um navio negreiro em uma ilha deserta no século XIX. A trama foca na luta pela sobrevivência e na inversão de papéis sociais, mostrando como os ex-escravos, que inicialmente são agredidos, acabam dominando a situação e transformando os brancos em escravos. O roteiro, escrito pelo angolano José Eduardo Agualusa, busca dar voz à perspectiva africana, evitando a figura do “branco salvador” e retratando os africanos como indivíduos com suas próprias histórias. O filme também aborda questões de gênero, mostrando mulheres ex-escravizadas que decidem não mais trabalhar para os homens. Com um elenco que inclui Miguel Damião e Anabela Moreira, a produção é uma parceria entre Brasil e Portugal e tem classificação indicativa de 16 anos.
Novo filme aborda escravidão com inversão de papéis em ilha deserta
O longa-metragem “Sobreviventes”, do diretor português José Barahona, estreia nesta quinta-feira (24) nos cinemas. A produção em preto e branco retrata a luta pela sobrevivência de náufragos de um navio negreiro, explorando a inversão de papéis sociais e as hipocrisias da escravidão, já proibida na época.
O filme se passa no século XIX, em uma ilha deserta no meio do Atlântico, onde o negro João Salvador joga xadrez com o branco Fradique Mendes. O diálogo revela tensões sobre a escravidão e a percepção de quem realmente perde nesse sistema. A trama acompanha a dinâmica entre os sobreviventes, inicialmente brancos, e a chegada de João, que é inicialmente agredido, mas salvo por uma jovem branca.
A narrativa se aprofunda na história de amor entre um mordomo negro e uma jovem branca grávida, além de apresentar os ex-escravos que também sobreviveram ao naufrágio. Com maior número, os ex-escravos passam a dominar a situação, invertendo os papéis e transformando os brancos em escravos.
O escritor angolano José Eduardo Agualusa, responsável pelo roteiro, buscou dar voz à perspectiva africana. “Eu queria mesmo era dar a perspectiva africana. Então foi isso que eu tentei o tempo todo, mostrar que aquelas pessoas tinham uma vida, uma cultura”, afirmou o escritor. Agualusa ressalta que o filme evita a figura do “branco salvador” e busca retratar os africanos como indivíduos com suas próprias histórias e culturas.
O filme também aborda questões de gênero e poder, com as mulheres ex-escravizadas decidindo não mais trabalhar para alimentar os homens. A obra explora a complexidade das relações sociais e os preconceitos enraizados na sociedade da época. O longa busca questionar e provocar reflexões, sem oferecer respostas fáceis, conforme ressalta Agualusa.
“Sobreviventes” conta com um elenco que inclui Miguel Damião, Allex Miranda, Anabela Moreira e Paulo Azevedo. A produção é uma parceria entre Brasil e Portugal, lançada em 2024, com classificação indicativa de 16 anos.
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