A nova montagem da peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, dirigida por Nelson Baskerville, está em cartaz no Teatro de Contêiner Mungunzá, em São Paulo. A produção traz elementos atuais, como referências a manifestações políticas recentes, e apresenta um final otimista, diferente de outras obras do autor. No cenário, os atores usam sacos plásticos na cabeça, simbolizando as máscaras que as pessoas usam para esconder suas verdadeiras identidades. O chão é coberto com raspas de borracha, representando o asfalto e as aglomerações de manifestantes. A história gira em torno de Edgar, que deve escolher entre casar com a rica Maria Cecília, filha de seu patrão, ou ficar com sua vizinha Rita, refletindo o dilema entre moralidade e dinheiro. Ao contrário de outras peças de Rodrigues, esta tem um final feliz, com os personagens superando a cobiça. Baskerville vê esse otimismo como um reflexo das mudanças recentes no Brasil, como a discussão sobre a Comissão da Verdade e os julgamentos dos envolvidos na invasão da Praça dos Três Poderes em janeiro de 2023. O diretor defende a obra de Rodrigues, destacando sua relevância e a crítica à hipocrisia da sociedade.
Nova montagem de “Bonitinha, mas Ordinária” traz crítica social e otimismo
A peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, ganha nova roupagem em direção de Nelson Baskerville. A montagem, em cartaz no Teatro de Contêiner Mungunzá, em São Paulo, incorpora elementos contemporâneos e apresenta um final otimista, destoando de outras obras do autor.
Cenário e simbolismo refletem a realidade brasileira
As cabeças dos atores são cobertas por sacos plásticos, simbolizando as máscaras que escondem as verdadeiras faces. O chão, forrado com raspas de borracha, e o mobiliário feito de pneus remetem ao asfalto e às aglomerações de manifestantes bolsonaristas em frente a quartéis, entre 2022 e 2023. Baskerville descreve o cenário como um “deserto de pneus”, representando a aridez do pensamento.
Peça cruza Nelson Rodrigues com a “Divina Comédia”
O diretor Nelson Baskerville estabelece paralelos entre a obra de Rodrigues e a “Divina Comédia”, de Ítalo Calvino, enxergando no purgatório rodrigueano um reflexo da condição humana. A peça é descrita como um “mundo distópico, prestes a explodir”, que reproduz um “inferno cotidiano”.
Enredo explora a escolha entre moralidade e dinheiro
Na trama, Edgar recebe a proposta de casar com Maria Cecília, filha rica de seu patrão, Heitor Werneck. Dividido entre o interesse financeiro e o amor por Rita, sua vizinha, Edgar personifica o dilema entre moralidade e dinheiro, questionando se “todo mundo tem um preço”.
Final feliz e esperança em tempos sombrios
Diferentemente de outras peças de Nelson Rodrigues, “Bonitinha, mas Ordinária” apresenta um final feliz, com os protagonistas superando a cobiça. Baskerville enxerga nesse otimismo um reflexo das recentes reviravoltas no país, citando a retomada da discussão sobre a Comissão da Verdade e os julgamentos dos envolvidos na invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Diretor defende a obra de Nelson Rodrigues
Baskerville se opõe às tentativas de “cancelamento” do dramaturgo, ressaltando sua evolução ao longo do tempo e sua capacidade de desvendar a alma brasileira. Ele destaca a atualidade da obra de Rodrigues, que expõe a hipocrisia e o falso moralismo presentes na sociedade.
Serviço:
* Peça: Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária ou No Brasil Todo Mundo é Peixoto
* Onde: Teatro de Contêiner Mungunzá – Rua dos Gusmões, 43, São Paulo
* Quando: Até 18 de maio. Sextas e sábados, às 20h; domingos, às 18h.
* Preço: R$60 (inteira)
* Classificação: 18 anos.
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